Frances Ha (2012)

O texto tá um pouco mais formal (leia-se: coxinha), porque fiz pra um trabalho de faculdade, mas vou aproveitar pra dar um up aqui! Provavelmente vou falar desse filme de novo, tenho MUITO pra falar dele, mas aí vai um goxtinho do que eu senti vendo esse filme gloriosamente lindo:

À primeira vista, antes de assisti-lo, construí uma imagem do que pensei que encontraria em Frances Ha, de Noah Baumbach: um filme cult (pelos cinemas em que estava sendo exibido), artístico (dada a fotografia em preto e branco) e, talvez, em francês. Esperava belas escolhas artísticas e uma estrutura narrativa menos engessada do que os filmes mais comerciais, nada muito além disso. O que encontrei? Definitivamente, um dos meus filmes preferidos.

Logo de início, já vieram as surpresas: a história se passa em Nova York nos dias atuais – o que causa um leve estranhamento, uma vez que o recurso da fotografia em preto e branco é comumente usado para a construção de uma atmosfera histórica, referente ao passado. Mesmo assim, agora não consigo imaginar o filme em cores: o preto e branco acresce certa melancolia à narrativa (sem forçar a carga dramática), bem como uma sutileza aos enquadramentos. Evidentemente, essa escolha também é uma alusão à Nouvelle Vague, movimento cinematográfico de caráter naturalista e independente – aspectos centrais do subgênero mumblecore, do qual o filme faz parte.

No que diz respeito à montagem, Frances Ha apresenta diversas cenas muito breves, mas, ainda assim, eficientes. Em um cinema mais tradicional, essas cenas seriam desenvolvidas do início ao fim da ação, o que nem sempre é necessário. Um exemplo é a cena do espetáculo de dança: a cena é cortada imediatamente antes de Frances aparecer para o público. Em seguida, já vemos Frances se arrumando para ir embora (e sua chefe diz que ela “foi bem”, sem entusiasmo). O diretor nos poupa de uma cena que, apesar de visualmente interessante, seria uma redundância da fala na cena seguinte – que é mais importante, por expressar em seu subtexto a opinião real da chefe de Frances.

O maior atrativo de Frances Ha, a meu ver, é a construção da personagem principal. A empatia com a protagonista me foi quase instantânea, mas creio que seja praticamente impossível assistir o filme inteiro sem se deixar cativar pelo jeito desajeitado e adorável de Frances. É uma personagem cheia de defeitos, que comete mais erros que acertos – e, justamente por isso, faz o público torcer ainda mais por ela. Sua trajetória não é romantizada nem dramatizada demais; por mais que muitas coisas ruins lhe aconteçam, ela segue com uma atitude positiva – ainda que isso implique em mentir para os outros e para si mesma sobre sua satisfação pessoal.

De fato, o tema central da trama de Frances Ha é a frustração. Ao longo da vida, a quebra de expectativa ocorre em suas mais diversas formas, e cabe a nós decidirmos como reagir a elas. Mas não se engane: Frances Ha não é uma história de superação – e, a bem da verdade, não propõe um final para sua narrativa. Porém, em vez de frustrar o espectador, o filme acaba tão próximo da realidade quanto começou.

PS: Ah, sabem quem é essa moça, a Greta Gerwig? Não viram em nenhum lugar? No post anterior, talvez? Pois é, saquem só!

Data do post original: 24 de novembro de 2013

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