A Origem (2010)

Era uma vez uma bixete na sua primeira aula de cinema, onde o professor pedira que cada aluno dissesse um filme que gostasse muito, sem medo de ser julgado. Pensei na hora em Bastardos Inglórios, primeiro filme do Tarantino que assisti e me deixou maravilhada – mas eis que o professor comenta sobre o filme antes de a minha vez chegar… Pensei, então, em outro filme que explodiu minha cabeça e foi direto pra minha lista de filmes preferidos: A Origem! Lembrei de toda essa historinha esses dias, fazendo uma retrospectiva 2012 (não a do Facebook), e decidi que o próximo post seria sobre esse filme.

Importante ressaltar que agora eu sei que o filme não é tão original assim, que muitos antes dele já tinham trabalhado com essa ideia de sonhos, questionamento da realidade e tudo mais, mas na época em que assisti eu fiquei MALUCA; assisti duas vezes seguidas – literalmente, o filme acabou e eu coloquei no começo de novo. Pra escrever o post, achei melhor ver A Origem pela terceira vez, mais madura e com um repertório maior que a Letícia 2010 (ok, nem tanto…). Assisti hoje mesmo e minha conclusão é… Não tem jeito: ESSE FILME É DEMAAAIS!

Sei que disse que esse novo tipo de post no blog não seria “panfletário”, mas me sinto na obrigação de defender A Origem, porque tem gente que fica criticando porque o filme é famosinho e *só* ganhou Oscar em categorias técnicas, como se fosse pouca coisa. Mas qualquer que seja sua opinião, não dá pra negar que o filme rende uma boa conversa! E não só no mistério do peãozinho continuar girando ou não, porque o filme tem questões muito mais profundas (Hãn hãn, entendeu? “We have to go deeper”? Não? Ok…).

Antes de tudo, queria dizer que não gosto da tradução do nome – Inceptioné muito mais legal e até virou meme, A Origem parece meio vago e o artigo me incomoda. Por isso vou chamar de Inception a partir de agora, permitam-me! Enfim, uma das coisas que eu gosto no filme são as cenas de ação justificadas – não, o termo não existe, inventei agora -, porque se tem uma coisa que me irrita é cena de ação só por ter, sabe? Talvez seja uma visão superficial, já que não sou familiar ao gênero, mas em Inception eu consegui sentir a urgência, a importância daquelas trocas de tiros, explosões e lutas sem gravidade. Eles não querem matar as projeções, eles precisam; olha que lindo isso!

Sem falar de todo os conceitos que são apresentados no filme – daí a importância de uma novata no grupo (Ariadne, ou Juno para os mais alternativos). Consigo até imaginar um manualzinho de instruções sobre sonhos compartilhados, de tão didática que é a explicação. Mas é também meio confusa: é bem fácil confundir quem é o sonhador com de quem é a mente, e como o arquiteto entra no meio dos dois pra criar tudo… Por issoInception é um ótimo investimento, dá pra assistir várias vezes e ainda não ter 100% de certeza das coisas!

Gosto de filmes com esse grau de complexidade, porque mesmo que você não absorva todas informações que o filme passa, você ainda consegue entender e apreciar a história – mas é claro que quanto mais você compreende, mais legal o filme fica. Tem narrativa não-linear, uma realidade alternativa bem fundamentada e uma história de amor tensa, tudo isso misturado com cenas de ritmo alucinante e a ausência de limitações que os sonhos proporcionam. Tem como não gostar? Sério mesmo??

Mais do que sua relação com sonhos, acho que a simbologia mais forte do filme diz respeito ao labirinto. Ele aparece de maneira literal, nos cenários arquitetados pela Ariadne para cada camada de sonho, mas também de forma simbólica, como a ideia de que a mente em si é um labirinto e que, o quanto mais fundo entramos dentro dela, podemos acabar nos perdendo e confundindo o consciente (memórias) com o subconsciente (sonhos). É exatamente o que aconteceu com o Cobb (DiCaprio), e é a Ariadne quem o ajuda e o acompanha nessa jornada paralela ao plano de inserção no herdeiro de Fischer. Daí a escolha de seu nome, uma vez que Ariadne é o nome da garota que ajuda Teseu a sair do labirinto do Minotauro, na mitologia grega. Legal, né?

Lembro que das primeiras vezes em que assisti Inception, as partes referentes à história do Cobb e da Mal (Marion Cortillard, linda e bem melhor que noDark Knight Rises) passavam meio arrastadas, as cenas de toda a equipe se preparando e tal me chamavam mais a atenção. Mas vendo o filme agora, a Mal é onde quase tudo começou, não tem Inception sem ela! E essa fixação do Cobb nela, de não conseguir deixá-la pra atrás, não conseguir se perdoar; nossa, é pesadíssimo! Além de se aplicar a várias situações, também.

E olha que poético: em entrevista, o próprio Christopher Nolan (que dirigiu e escreveu o filme) disse que, na famosa cena final, o importante não é o peão estar girando ou não, porque o Cobb sequer está olhando pra ele. Realidade ou sonho? Whatever! Ele finalmente se libertou. Gostei, mas aposto que muita gente ainda vai ficar nessa discussão. Eu prefiro que seja real, não por precisar de um final feliz, mas pra enfatizar essa ideia de liberdade, de peace of mind mesmo, sabe? Ele merece!

Falei demais, mas é só pra mostrar um pouquinho do quanto gosto deInception. Convenci vocês? Venham falar comigo sobre esse filme, gosto demais e sou cheia de teorias – por exemplo: tem gente que diz que o totem do Cobb é a aliança dele, que ele só usa quando tá dentro do sonho. E não sei se foi impressão, mas em muitos planos ele meio que esconde a mão da aliança! Não sei se é verdade, preciso averiguar… Mas é isso! Bons sonhos pra vocês!

(PS: Coincidência ou não, ando viciada em uma música que, pelo que fui ver agora, combina assustadoramente com a história do Cobb e da Mal, desde eles presos no limbo até o fim. Chama-se, Little Talks, do Of Monsters and Men, dêem uma olhada! )

Data do post original: 13 de dezembro de 2012

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