Breaking Bad (2008)

Escrevo este post logo depois de assistir o final dessa série, e a vontade é pegar uma câmera, que nem o Walt fez no primeiro episódio, e dizer: “Se você está vendo essa mensagem, você provavelmente nunca viu Breaking Bad, por preguiça de começar a série do zero, ou parou no meio do caminho por algum motivo que NÃO FAZ SENTIDO PRA MIM, POR QUE ESSA SÉRIE É A MELHOR COISA DO MUNDO, BITCH!”.

Hm, quer dizer, eu já pensei assim também, pessoal! Resisti tanto, parecia que tavam me oferecendo droga (obrigada por isso, PROERD). Mas, conforme pessoas com gosto muito parecido com o meu foram se apaixonando pela série, pensei “Não é possível, ruim não pode ser”.

Assisti o piloto e achei C-H-A-T-O. Desisti, achei lento, não me prendeu. Fui ver o resto uns seis meses depois… E cá estou, chorando sangue e me debatendo com o final da série. Por isso digo: aguente, vale MUITO a pena! Fazendo uma retrospectiva, a primeira temporada tem bons momentos, mas é meio lentinha.

A segunda tem uma metade crazy e outra mais sombria (mas, pra mim, menos interessante). A terceira parece que foi adicionada depois, pra fazer a história render mais, mas gosto bastante! Tem gente que não gosta tanto… A quarta e a quinta são maravilhosas, do começo ao fim. Me faltam palavras, de verdade. Nunca vi uma série tão concisa, tão forte, tão bem construída. 

Se puder dar um palpite, a profundidade das personagens é a chave pro sucesso de Breaking Bad: protagonistas, coadjuvantes, todos cheios de detalhes, camadas, o que os torna mais realistas (porque na vida não é essa coisa de 100% mau e 100% bom). Enquanto assistia a série, lembro de adorar todos os personagens, justamente por serem tão únicos- da Marie ao Skinny Pete, do Gomez à Lydia.

Mesmo o Jesse em sua versão mais infantil e escrota, que eu com certeza odiaria se conhecesse pessoalmente, me deixava maravilhada. Por isso mesmo, nunca sabia direito pra quem torcer – quer dizer, no começo é fácil, mas chega até a quinta temporada pra ver a salada que fica.

E melhor: os novos personagens são inseridos na trama de forma tão natural que te conquistam (ou te causam desprezo) rapidamente – do tipo, ~Oq flar desse Mike que mal conheço e já curto pakas?~. A própria história, aliás, parece ter estágios, como num videogame (que começa com os chefões menores e vai pros mais difíceis). Assim, tanto o espectador quanto os personagens vão entrando cada vez mais afundo no universo da série, e as coisas vão se entrelaçando, se complicando.

Tá ficando difícil falar sem spoilers, mas aí vão algumas considerações gerais minhas: acho a Skyler uma personagem FODA, apesar de começar meio irritante ela cresce demais. Jesse amei desde sempre, terminei amando também – e fez de bitch um “bordão” tão marcante quanto o motherfucker do Samuel L. Jackson. Claro, a mudança mais radical é a do Walt (protagonista, né), mas mesmo assim, me identifiquei com ele em diversos momentos – e, bom, impossível não admirar o cara.

As cenas do Walt com o Jesse sempre foram as minhas preferidas! O contraste de personalidades dá inúmeras possibilidades de conflito, às vezes divertidos, sempre intensos – sem falar que a química (hãn hãn) entre os atores é instantânea! É bacana ver as mudanças graduais pelas quais cada um vai passando, conforme eles passam por mais e mais perrengues. É uma relação complicadíssima, e por isso mesmo fofa.

No mais: Hank é meu herói, Gus é a única pessoa que me intimidou falando em espanhol, Holly é o bebê mais lindo do mundo e o Saul é o alívio cômico que qualquer série amaria ter (mal posso esperar pra série dele!).

Fui especialmente azarada, vendo dois spoilers escandalosos das maneiras mais estúpidas possíveis: um foi vendo uma paródia de Frozen com Breaking Bad (nem vou por o link, tenho ódio daquilo) e o outro foi pesquisando BONEQUINHOS da série (aqueles de Vinil, sabe?). Mesmo assim, não perdi praticamente nada! Porque não é só o que acontece, mas como acontece – e esse aspecto a série tira de letra.

Vamos falar um pouco de técnica, pra eu não ficar dando opinião de fãzoca: não decorei o nome do diretor de fotografia, mas toda vez que aparecia nos créditos iniciais, eu pensava “esse cara sabe o que tá fazendo”. A fotografia expressa muito bem a transição na personalidade do Walt e como isso afeta suas relações – não só com luz e sombra, mas com enquadramentos inusitados e criativos.

As sequências em que o Walt e o Jesse cozinham são sempre acompanhadas de trilhas contagiantes e montagem mais ousada. A trilha sonora tem momentos bem marcantes, em geral ao fim dos episódios (a música do último episódio, então, genial). A direção de arte também se destaca, danto suporte à teoria das cores aplicada na série, já confirmada pelo autor. É maravilhosa e faz todo o sentido, mas como é mais complexa, deixo um link e um vídeo  – cuidado que tem spoiler – pra quem se interessar!

Apesar de ter falado muito de elementos de roteiro lá acima – estrutura da série como um todo e construção de personagens -, preciso falar dos diálogos, que tem momentos brilhantes.  Mas além do roteiro, são várias as cenas visualmente marcantes – destaco a do “Where is the rest”, “Stay out of my territory”, Hank em El Paso e, bom, algumas mortes. Quase todas, na verdade – tão diferentes, tão absurdas, mas sempre maravilhosas de se ver (na ficção ,é claro).
Engraçado como, mesmo deslumbrada com as temporadas finais, a situação fica tão tensa que até fiquei meio baixo astral – um sentimento “quero continuar a assistir, mas não sei se quero ver o que tá pra acontecer”. Mas, diferente de algumas série por aí, o autor não inventa moda no final pra causar: a história não poderia acabar de outra forma.

Agora fica a saudade, junto do orgulho de uma série que parou na hora certa (não se estendeu pra lucrar mais), ousou em diversos momentos, com personagens inesquecíveis. Palmas de pé para Vince Gilligan, a mente por trás de Breaking Bad, e para todo o elenco. Agora, alguém sabe se tem reabilitação de fim de série?

Data do post original: 5 de janeiro de 2015

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