Kill Bill (2003/2004)

Se algum viajante do tempo viesse pra mim há poucos anos atrás e me dissesse que Kill Bill seria um dos meus filmes favoritos, eu jamais acreditaria! Lembro de ver algumas cenas de relance, enquanto o pessoal de casa assistia, e guardei na memória jatos de sangue, um braço decepado e uma pessoa de capacete dizendo algo como “Cada vez que você não me responder, eu vou cortar algo fora”. Na época, não despertou nada além de espanto. Anos depois, lembro dessas imagens e penso “Nossa, nunca cheguei a ver esse filme pra valer!” e dou uma segunda chance. Quentin Tarantino já tinha me conquistado (parando pra pensar, acho que só me faltava esse eJackie Brown), mas Kill Bill levou minha admiração pelo diretor às alturas!

Importante: não quero que minhas opiniões sobre os filmes do Tarantino sejam confundidas com fanatismo. Muita gente não gosta do excesso de violência, das evidentes referências a outras obras (que alguns chamam de ~falta de originalidade~) ou à cultura pop, geek, cult ou seja lá o que for. Cada um gosta do que gosta, já disse isso umas mil vezes aqui no blog! Não sei explicar porque gosto tanto dos filmes dele… Acontece naturalmente. Pra mim, é o mesmo de tentar explicar porque gosto de comida japonesa – a qualidade da coisa é tão óbvia, ao meu ver, que fico chocada quando alguém diz que não gosta.

Deve parecer que tô enrolando, mas é que é difícil falar de um filme do Tarantino sem falar algumas coisas sobre o digníssimo. Seu estilo possui características bem marcantes: a divisão da narrativa em capítulos (ordenados cronologicamente ou não); o humor negro dos diálogos (às vezes, mais pelo contexto do que pelo conteúdo); a trilha sonora cuidadosamente selecionada; entre outros. No caso de Kill Bill, a trilha é um dos aspectos mais bem desenvolvidos, que participa ativamente do desenrolar do filme. Destaque para a luta entre a Noiva e a O-Ren, ao som de Don’t Let Me Be Misunderstood e pro icônico tema de Ironside, que toca sempre que a Noiva encontra seu “alvo”.

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Antes de continuar, percebam que coloquei os anos de lançamentos dos dois volumes de Kill  Bill – e, portanto, falarei dos dois nesse mesmo post. Não faria sentido escrever um post pra cada quando, na realidade, eles formam um só filme! A intenção do diretor não era criar uma franquia; é que o filme ficou grande demais mesmo… Vou aproveitar essa deixa pra pedir àqueles que não viram o Volume 2 que encostem um lado de sua face (o de sua preferência) no monitor, para que eu bata na cara de vocês. Não pode, gente! Precisa ver tudo! Acho que esse fenômeno de só-ver-o-Volume-1 acontece porque tem gente que não gosta do 2, por ser mais parado. Mas cara, vale a pena. Aliás, o ideal é assistir os dois seguidos (fiz isso e fica bem mais legal, só precisa ter tempo!).

O que acontece em Kill Bill é uma loucura, uma bagunça, uma zona! Mano Taranta simplesmente pega vários gêneros de filme pelos quais ele é apaixonado (duas xícaras de kung fu, uma lata de faroeste tipo italiano, a mesma medida da lata de samurais e uma colher de anime), mistura tudo e pronto! Fácil? Claro que não! Veja bem: não é porque dois doces são gostosos que eles vão continuar bons se você misturar – tipo, sei lá, doce de leite e nutella. Pode não combinar, ficar enjoativo, os sabores podem se anular…

Enfim, precisa ter muita maestria pra equilibrar tudo direitinho. E é por isso que eu gostei tanto do filme! Imagina como deve ser gratificante fazer um filme com tudo que você gosta, e o resultado ficar super autoral, as pessoas reconhecerem sua marquinha ao assistirem… Tudo bem que os fimes do Tarantino são todos bem *tarantinescos*, mas Kill Bill não é o inusitado cartão de visitas que foi Cães de Aluguel ou a consolidação de um estilo único que foi Pulp Fiction. É simplesmente um filme que ele gostaria de assistir!

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Pensando assim, acho que gosto tanto de Kill Bill não só pelo que ele é, mas pelo que o filme representa. Pro Tarantino, claro, mas pra mim também! Kill Bill me lembra, à sua maneira, da importância de fazer o que me motiva. É,acho que a palavra certa é motivação. O próprio título do filme não passa de uma meta, não? E seja qual for a sua: Encontrar Estágio, Virar VJ, Morar No Exterior ou Matar Meu Ex Que Me Atirou Na Minha Cabeça, vá em frente! Ops, peraí, não tô fazendo apologia à violência nem nada, hein! Sejam razoáveis… E felizes!

Hm, acho fui muito longe falando de um filme cheio de mutilações e desejo insaciável de vingança, né? Até o Tarantino diria que viajei demais dessa vez. Mas fazer o quê? Kill Bill é um filme divertido, envolvente e bem feito, morro de amores por ele! Lembro que, depois que assisti, fiquei triste. “Por que, não é bom?”, perguntaram. “Não é bom. É TÃO bom, e TÃO dele… Quando vou conseguir fazer um filme assim???”, eu respondi, chateadíssima. Enquanto não sei, vou assistindo Kill Bill de novo. E de novo, e de novo, e de novo…

Data do post original: 16 de janeiro de 2013

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