Lisbela e o Prisioneiro (2003)

Essa sou eu abrindo meu coração e me permitindo escrever sobre meu filme nacional preferido! Sim, mesmo depois de tantos anos e de tantos filmes bons produzidos por aqui (ou por gente daqui), comprovei que Lisbela e o Prisioneiro ainda é meu queridinho, mesmo não sendo lá uma obra-prima. Vou tentar ser o menos emotiva possível, mas já adianto que vai ser meio difícil porque a história me envolve demais!

Dei uma pesquisada de leve, pra não vir sem nada além de opiniões, e fiquei sabendo de duas coisas interessantes: 1) a história de Lisbela e o Prisioneirotem uma trajetória meio longa: era uma peça, virou um filme especial pra TV, que deu origem a uma nova versão da peça – que, por sua vez, serviu de base para o roteiro do filme. Ufa! Alguns membros do elenco acompanham a história a mais tempo que outros: o Bruno Garcia, que faz o Douglas do filme, já foi o protagonista Leléu, a Virgínia Cavendish, que faz a Inaura, já foi a Lisbela, e o Marco Nanini fez o Frederico Evandro nos dois filmes.

Aliás, que elenco! Vejo por aí umas críticas à Débora Falabella, mas o sotaque fake não me incomodou… Pelo pouco que vi das outras versões, destaco a atuação do Selton Melo como Leléu – ele equilibrou bem os lados malandro e apaixonado do protagonista. A qualidade das interpretações leva ao fun fact 2) o diretor, Guel Arraes, fez o elenco ensaiar a história inteira de uma vez, com todas as marcações, exatamente como uma peça de teatro. Isso se reflete bem no resultado, a interação entre os atores flui bem e o entra e sai de atores nas cenas lembra bastante uma estrutura mais teatral.

 

Passando para a linha narrativa, a metalinguagem de Lisbela e o Prisioneirotorna o filme ainda mais gostoso de se assistir! Os episódios seriados que Lisbela assiste no cinema dialogam com os diferentes atos da história “real”, criando dinamismo e, em alguns momentos, até um pouco de ironia – como na fuga de Leléu na casa de Inaura alternada com a cena de ação do mocinho do cinema. Esses “filminhos”, estilizados à moda antiga e até dublados, dão uma noção de realidade maior às cenas que acontecem fora do cinema, ao mesmo tempo em que enriquecem as que se passam dentro dele  – por exemplo, o casal do filme esperando Lisbela e Leléu se beijarem para fazerem o mesmo e os créditos iniciais, em que a própria Lisbela descreve os personagens do filme. Cinema falando de cinema, tem coisa mais linda?

Falemos um pouco da estética: a primeira coisa que me agrada é a ambientação de personagens arquetípicos (mocinha, anti-herói, vilão, etc) em um contexto regional, nordestino mesmo, e a maneira como suas características são transmitidas visualmente. Por não ter taaaanto contato com a cultura nordestina, considero essa escolha bastante peculiar e, depois de analisar o filme de maneira geral, um encaixe perfeito! Imaginem a história da Lisbela em São Paulo! Ou mesmo no Rio! Cha-to… Além disso, o Nordeste é retratado de uma maneira mais “encantada”, quase como um local fictício – pra combinar com a metalinguagem do filme, talvez.

Evidentemente, essas escolhas criativas na forma não se sustentariam sem um bom enredo. Vamos falar de personagens? Gosto bastante do Leléu, acho que ele representa bem um protagonista essencialmente brasileiro (cheio das malandragens, mas carismático e de bom coração). Lembro que nas primeiras vezes que assisti adorava o Douglas, o noivo da Lisbela, achava ele bem mais engraçado que o Cabo Citonho (Sid da Era do Gelo) e o delegado, mas são todos ótimos! A Inaura também é uma personagem forte, sempre começo não gostando dela e depois mudando de ideia. A Lisbela tem aquele jeitinho sonhador, quase infantil, mas gosto dela e choro junto nas cenas mais dramáticas! No regrets!

 

E não dá pra não falar da trilha sonora S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L de Lisbela e o Prisioneiro! Lembro que na época a música tema do casal, Você Não Me Ensinou A Te Esquecer (cantada por Caetano Veloso), virou um hit com o lançamento do filme. Grande parte são músicas mais antigas, regravadas bem ao estilo da história. Não foi um simples trabalho de seleção de músicas prontas, foi tudo rearranjado, regravado, uma lindeza! Destaque pra Dança das Borboletas, do Zé Ramalho, que ele regravou com o Sepultura (!), e para a versão de Espumas Ao Vento da Elza Soares, tema da personagem Inaura – aliás, imagine uma Letícia de 9 anos cantando essa música do Fagner no videokê de casa (sim, isso aconteceu). Enfim, o CD da trilha de Lisbela (se você é como eu e ainda compra CD) vale o investimento.

Ufa! Será que me empolguei? Espero que tenha convencido vocês a assistirem esse filme, porque ele é lindo e merece ser assistido por todo mundo! Mas falando sério: Lisbela e o Prisioneiro nos envolve uma atmosfera mágica, porque ao mesmo tempo em que nos apresenta uma história divertida e emocionante, nos relembra o quão prazerosa é a experiência de assistir a um filme! Fico com os olhinhos brilhando que nem os da Lisbela quando vou ao cinema, ou até quando vejo filme em casa, e nunca quero esquecer como é boa essa sensação! E, ao assistir Lisbela e o Prisioneiro, eu me lembro disso – além de rir, chorar, cantar, extravasar mesmo. Recomendo com todas as forças!

Data do post original: 8 de maio de 2013

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