Ninfomaníaca (2014)

Semana entre feriados evoca polêmicas! Taí um filme que causou um baita rebuliço nas ~redes sensuais~ (Giovanni Improtta eterno, RIP J.W.) quando tava pra lançar, mas não vi muita gente comentando depois sobre o filme em si. Fizeram zuações mil com o poster, passaram trailer em sessão infantil, comentaram que era pra ter oito horas mas foi cortado pra ficar mais “comercial”, blablabla. Mas aí estreou e… Ué, cadê todo mundo?

Como sou meio novata nesse âmbito cinéfilo, sempre ouvi muito falar do Lars Von Trier, mas nada muito substancioso – só que ele é cheio das ousadias. Nada mais apropriado que um filme sobre ninfomania, certo? Mas cheguei a ver gente falando “ah, se eu quiser ver cena de sexo assisto um pornozão e é nóis RSRS”. Isso, vai lá, amiguinho. Se essa for sua motivação, nem se dê ao trabalho. Se, por outro lado, achou o tema peculiar e quer ver como um diretor igualmente peculiar o desenvolve, chega aí: digo sem vergonhas que Ninfomaníaca é um filmaço!

Mesmo que a ideia inicial fosse um único filme, acredito que a divisão em duas partes tenha sido muito bem feita. Na primeira parte, acompanhamos desenvolvimento da Joe, a protagonista – e de seu próprio vício, paralelamente – com ares de curiosidade, erotismo e até um pouquinho de romance. Ah, uma coisa que me deixou bem surpresa: vários momentos engraçadinhos! Taí uma coisa que nem quem já acompanhava o trabalho do diretor esperava. Claro que não é uma coisa pastelão, é um humor negro, combinou bastante. Pra mim funcionou!

Ainda que a primeira parte tenha alguns momentos mais pesados, em que o lado mais sombrio da ninfomania começa a se manifestar, não se compara à segunda parte. Ela é toda mais perturbadora, com mais simbolismo, meio existencialista mesmo – não sei se essa sequência de termos faz sentido, mas foram os que me vieram à cabeça vendo o filme. As aventuras da personagem não tem aquele ar divertido, peculiar. Sabe quando você tá conhecendo melhor alguma coisa, mas a partir de um momento aquilo deixa de ser interessante e fica meio sinistro?

Não vou dizer que chorei, mas senti uma angústia muito grande. Vício é vício, nunca vai ter só a parte boa. Fiquei com pena da Joe de verdade, mas também tem aquela coisa: por mais difícil que seja, ela teve a escolha de tentar se controlar ou decidir assumir a ninfomania como parte dela. A partir daí, o enredo teve uns momentos bem nonsense pra mim – até combinaram um pouco com o tom mais underground que essa parte tem, mas não me convenceu muito… O ritmo nessa segunda parte é mais lentinho também.

Emendando os diferentes “capítulos” da vida de Joe, temos a conversa dela com Seligman, o velhinho que socorre ela no começo. Gostei bastante dos diálogos, mesmo que alguns deles usassem abstrações demais – a conversa como um todo não é lá tão convincente como uma conversa ~normal~, mas nem acho que essa tenha sido a intenção anyway, então tá valendo!

No mais, gostei das imagens fora do ambiente da cena que aparecem às vezes, mas que acrescentam no contexto. A trilha principal, tocada no início e no final da primeira parte, é mega eletrizante, parece que tá preparando o espectador pra história ou algo assim. Por fim, as cenas finais: AI. MEU. DEUS. O fim da primeira parte já foi marcante, mas o fim da história??? Minha nossa! Só assistindo pra saber – quer dizer, quem for maior de 18 né, minha gente!

Data do post original: 24 de abril de 2014

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