Obrigado Doutora (2011)

HABEMUS CURTA, sim senhores! Confesso que até eu andava com saudades de ficar procurando curtas legais pra mostrar pra vocês, me sinto meio garimpeira e tal, gosto muito. Mas, como dizia Marisa Monte, não é fácil. Não que existam poucos curtas bons, mas é que dificilmente encontro algum que me inspire a escrever, sabe? A maioria deles, justamente por apresentar narrativas curtas e redondinhas, não me deixa muito a acrescentar. Mas Obrigado Doutora é um curta tão substancioso que vale um post, sim!

Justamente por sua breve duração, esse curta é um belo exemplo de síntese: ele diz muito em poucas cenas, poucas falas. E isso é beeeem mais difícil do que parece. Em muitos curtas que assisti até chegar nesse, notei várias cenas que não fariam falta e nada acrescentam à história, mas que estão lá – talvez, por hábito, tipo aquelas cenas de pessoa escovando o dente e etc. Não me entendam mal: cenas assim nem sempre são descartáveis! A maneira como o personagem age pode ajudar a caracterizá-lo. Mas assim… Precisa? Essa é uma pergunta que deve ser feita a cada cena (mentalmente, pra não irritar quem estiver assistindo com você). Este curta, por exemplo, está longe de pecar pelo excesso.

Acompanhamos a trajetória diária da doutora, que consulta seus pacientes no conforto de seus lares. A escolha estética de close ups nos pacientes é acertadíssima, pra que não se desvie a atenção do espectador para cenário, figurino ou algo assim (direção de arte manda agradece a consideração, risos). É bem a perspectiva da doutora: o foco está no paciente. A própria doutora aparece poucas vezes, o que me fez prestar mais atenção a sua voz – e gente, que voz reconfortante! Não é? Vocês não sentem um carinho de mãe nessa vozinha fofa?

Ok, me empolguei. Continuando: a história vai se desenrolando e os planos vão se abrindo, como se absorvêssemos a história gradualmente, conforme nos acostumamos com ela. Com isso, percebe-se que a intenção do diretor não é chocar ou espantar o espectador na cena seguinte, mas ainda assim quer mantê-lo curioso. Zuei a direção de arte ali encima, mas vemos um belo trabalho nos diferentes cenários que, aliada com a fotografia e seus enquadramentos minuciosos, produz um apelo visual bem marcante.

Poderia-se dizer que, se não peca pelo excesso, o curta peca pela falta, por não mostrar tanto desenvolvimento da protagonista ou de seus pacientes (apesar da alternâncias de cenas, creio que assistimos a apenas uma consulta de cada paciente). Discordo. Na verdade, as cenas falam por si só: repetindo, o curta diz muito mostrando pouco. As poucas cenas da doutora em sua casa revelam que, talvez, não haja muito mais a ser mostrado em sua vida. E como ela ameniza essa solidão? A cena final nos mostra. Bonito, simples e quase poético.

Enfim, Obrigado Doutora é um curta conciso e interessante, vale a pena conferir! Pessoalmente, tenho dificuldade em escrever cenas com poucas falas, por isso admiro bastante as produções que possuem essa narrativa mais refinada. Já dizia Elvis: “a little less conversation, a little more action”(acho que ele daria um bom roteirista, não? ok). Fica pra vida essa lição, né, vamos parar de blablablá e fazer as coisas bem feitas!

Data do post original: 30 de junho de 2013

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