Orange Is The New Black

Não sou assim com outros aspectos da vida, mas com séries e reality shows sou meio 8 ou 80. E quando é 80, se prepara: fico obceada, completamente imersa, falo da série e imito personagens o tempo todo – imagina que agradável conviver comigo! Há uns bons meses, o vício da vez era essa maravilha que é Orange Is The New Black, um oferecimento Netflix – tinha que ser! A premissa da série já chama a atenção: uma mulher de classe média-alta, loirinha de olho claro, é sentenciada por um crime que cometeu anos antes.

Diferentemente de outros filmes que retratam o dia a dia na prisão – em que ou o protagonista é acusado injustamente, ou é um crimonoso que tenta fugir -, a Piper realmente é culpada pelo crime, mas sua vida se normalizou desde então. Justamente por isso, creio que seja uma série em que é mais fácil de se relacionar com a protagonista. É bem aquela coisa de “o passado condena”, sabe? Prestes a se casar e a abrir um novo negócio com a melhor amiga, Piper tem que deixar tudo isso pra cumprir sua sentença de ~apenas~ um ano. Depois, vida normal. Naquelas.

Logo na abertura, a série já me ganhou, com uma música da Regina Spektor – feita especialmente pra série – e rostos de detentas americanas reais. Nada mais apropriado, já que a história É real – foi inspirada num livro autobiográfico de mesmo nome, da escritora Piper Kerman. Ela chegou a expor toda a situação, na época, em seu blog. Louco, né? Mas calma que a situação se complica mais ainda – logo no fim do piloto você já vê que não vai ser fácil…

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Vejo muitos elementos que fazem Orange Is The New Black um ótimo exemplo de série que funciona, mas o principal? Personagens. Séries dependem muito mais da autenticidade e do carisma dos personagens do que os filmes, afinal, querendo ou não, você passa muito mais tempo “convivendo” com eles. Com uma estrutura bem parecida com Lost, cada episódio mostra um pouco do passado de uma personagem, revelando mais de sua personalidade e do motivo pelo qual está presa.

E nossa, que personagens! Me identifico demais com a Piper, imagino que se fosse presa agiria do mesmo jeitinho (e sempre me ferraria que nem ela, haha). Gosto muito da Red também, toda poderosa, e a construção de personagem da Pensatucky é SENSACIONAL! Crazy Eyes é um show de interpretação cada vez que aparece, também. É uma série bem feminista, em que as mulheres são as que realmente tomam as rédeas da situação – mas, ao mesmo tempo, mostra que há diferentes tipos de mulheres, diferentes vozes que o feminismo representa. Faz todo sentido pro universo da série e chega a ser até um pouco utópica, mesmo que não devesse ser assim…

Acho até que a OITNB sofre certo preconceito. Definitivamente não é uma série “feminina”, tem até uns momentos bem sombrios, mas é vista com desprezo por algumas pessoas. Uma série com a maioria de personagens mulheres não pode ser interessante? Isso sem falar daquela generalização tonta de que, só porque uma série tem personagens principais homossexuais, ela é categorizada como LGBT. Pra quê isso? E mesmo que essa categoria fosse válida, qual o problema de quem não faz parte desse grupo assistir? Haja Babilônia pra abrir a cabeça dessa galera!

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Inclusive, a própria experiência da Piper na prisão é uma dualidade mega interessante: quem é ela realmente, a Piper que ela era na época do crime (que volta à tona na prisão) ou a que ela se tornou depois? A que tem um noivo fofo ou a que quer fugir pelo mundo com a ex-namorada? E, por passar por uma mudança tão radical de cotidiano (da liberdade ao confinamento), todos esses questionamentos são pertinentes – e, mais do que isso, movem a história pra frente. Pode até ter gente que acha que a Piper fica meio apagadinha às vezes (no meio de tanta figuraça), mas eu a vejo como uma protagonista em busca de autoconhecimento, perdidona mesmo, e isso faz com que eu goste mais dela.

No mais, a trilha da série é muito muito boa (e eclética, alternando músicas antiguinhas tipo soul e umas puxadas pro pop atual), os diálogos são maravilhosos – do tipo que você fica citando depois, de tão lindos (um que eu gosto é “The thing about reality is it’s still there waiting for you the next morning.”), e a primeira temporada é bem consistente, gosto muito! A segunda temporada já acho um pouquinho mais fraca, mas vale só pelas pistas falsas e pelo desenvolvimento das personagens mais queridas do Brasiiil – quer dizer, dos Estados Unidos. Sério, recomendo demais!

Data do post original: 26 de março de 2015

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