Tick Tock (2011)

Ah, não, fico esse tempo todo sem postar e venho logo falar do clipe da Ke$ha? NOT! Muito pelo contrário, meu querido leitor: parei de inventar moda e venho novamente com um curta, por que é disso que o povo gosta! Prometi a mim mesma que acharia um curta BEM bacana pra vocês e voilà: eis aqui o curta-metragem Tick Tock, escrito, filmado, dirigido e editado por  Ien Chi (arrasou, a propósito).

Tipo, UAU. Esse recurso de inverter a narrativa, mostrando o final e depois o começo, já foi utilizado em dezenas de filmes, mas isso não quer dizer que ele seja fácil ou “manjado”. Esse efeito requer um cuidado todo especial no roteiro, que não pode perder todo o sentido com essa mudança, mas também não pode ser muito simples, pois essa dificuldade de compreensão é justamente o que prende a atenção de quem assiste.

Desde o começo, a gente já percebe que tem coisa estranha nesse curta, e ao longo dele rola até um mini desespero do tipo “O QUE ACONTECEU COM ELE, GENTE?”. Aliás, o atrativo desse curta não é apenas essa inversão, mas o fato de toda a história acontecer em um único plano (chamamos isso de plano sequência, ou seja, sem cortes). Isso aumenta a dificuldade de produção do curta em uns 200% – um infeliz tropeça, já tem que começar tudo de novo.

Mas valeu o esforço, porque a ausência de cortes ajuda a aumentar ainda mais a tensão da cena. Um exemplo disso é o filme do Hitchcock, “O Festim Diabólico”, longa-metragem com pouquíssimos cortes muito bem disfarçados. É até uma gincana você tentar identificá-los, chame seus amiguinhos cinéfilos e BOA DIVERSÃO!

Outro elemento que intensifica essa atmosfera sinistra é a trilha sonora, e, dessa vez, não me refiro apenas à música. Sim, obviamente a escolha da música fez toda a diferença (você poderá comprovar isso por si mesmo, aguarde), mas o efeito na fala das personagens produz uma sensação de desvio de lucidez – é tipo quando você vai desmaiar e começa a ouvir as vozes das pessoas cada vez mais distantes. Os sons de batida cardíaca e tiques de relógio também ajudam na ambientação, envolvendo ainda mais o espectador.

Dito tudo isso, revelo o verdadeiro motivo de escolher esse curta: a temática. Parece um tema meio clichê, mas é uma coisa que me faz pensar: será que a gente realmente sente o tempo passando? Quem fez a legenda dos vídeos se esqueceu de traduzir algumas palavras que aparecem ao longo do curta: Covardia, Reputação, Ganância, Indiferença e Preguiça. Quantos vícios de comportamento nós vamos acumulando sem perceber, deixando as coisas que realmente importam de lado?

Não vou fazer aquela pergunta de ‘O que você faria se só tivesse 5 minutos de vida?’, porque a questão do vídeo não é essa. A pergunta a se fazer é:Para quem/o que você está dando valor neste exato momento?Seja qual for sua resposta, está valendo a pena?

(Aprofundei o assunto, agora você pensa na vida. “Calma, sou devagar, não entendi o vídeo direito, mesmo vendo duas vezes!” – ok, te dou o link dovídeo não editado, na ordem cronológica. Aproveite e repare como a edição deu um tchans a mais na história!)

Data do post original: 12 de setembro de 2012

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