V de Vingança (2006)

Mais difícil que manter um blog em fim de bimestre é me manter calada em relação a tudo que venho absorvendo nas últimas semanas. E, já que não me posicionei até o presente momento e faz um tempinho que não escrevo aqui, porque não juntar o útil ao agradável? Venho falar, portanto, de um filme que vi ainda esse ano, provavelmente a melhor adaptação de uma série de quadrinhos para o cinema: V de Vingança! Os quadrinhos são dos anos 80, o filme de 2006 e, ainda assim, a história continua extremamente atual e inspiradora. Mesmo quem nunca viu o filme já viu a máscara do Guy Fawkes por aí – em sites relacionados ao Anonymous, no Egito, na Avenida Paulista…Enfim.

Ao ler um pouco a respeito, fiquei sabendo que o Alan Moore (criador da série de quadrinhos) ~fez a egípcia~ e nem quis saber do filme, por causa de algumas alterações – tiraram grande parte dos temas de anarquia e referências ao consumo de drogas, por exemplo. Por mais que eu entenda que o Alan Moore não goste que mexam nas suas gavetas, acho que os diretores fizeram bem: assim, a mensagem principal da história continua intacta e não se relaciona tão diretamente a uma única visão política. E que mensagem! As atitudes do V, embora pareçam frutos de vandalismo, ou até insanidade, são calculadas e planejadas passo a passo. Claro que o fator dele ter alguns poderes sobrehumanos dá uma ajudada, mas não pude deixar de admirá-lo. Esse negócio de admiração pode ser perigoso, especialmente quando se fala de política, mas me permiti – afinal, é só um filme, não é?

Pois é. Conforme o enredo vai se desenrolando (meio lentamente em algumas partes, admito), é como acompanhar um termômetro que vai marcando uma temperatura cada vez maior. Eis que o V ganha forte apoio popular e um detetive do governo, Finch, começa a perceber que, ao ajudar a capturar esse “perigoso terrorista”, talvez esteja tentando fazer gol contra: dois eventos favoráveis para o estopim da situação, em uma das cenas finais mais emocionantes que já vi. Estou tentando resumir com o mínimo de informações possível, porque quem ainda não viu esse filme tem o direito (direito nada, tá mais pra obrigação) de assisti-lo e se impressionar com ele tanto quanto me impressionei.

V de Vingança me fez pensar em muitas coisas – coisas que são trazidas à tona agora, em meio a eventos realmente assustadores. Não estou falando de vidros quebrados, lixeiras em chamas ou horas de trânsito. Estou falando dissodisso e disso. De coisas que li na quinta passada. Não os textos frios e factuais de especialistas ou as pequenas manchetes que aparecem na minha timeline do Twitter, e sim relatos DIRETOS de amigos e conhecidos, com graus diferentes de envolvimento nas manifestações. Dos vídeos, fotos e programas de TV, com diferentes perspectivas do ocorrido. Dos argumentos que escutei (ou, fui obrigada a escutar) de ambos os lados.

Agora não é  ficção. Não é um entretenimento de um domingo tedioso. É realidade. O que me fez perceber que a minha admiração pelo V não era concreta – em relação ao personagem e às coisas que ele fez -, e sim, abstrata – em relação ao que ele representa. Sabe o que ele realmente está dizendo? Você não deve querer benefícios, regalias, 20 centavos a mais no bolso. Você deve despertar, se posicionar! Saber a que você tem direito ou não. Saber quais são seus deveres e cumpri-los. Enxergar o que está errado. Propor soluções cabíveis. Precisa se filiar a algum partido pra fazer tudo isso? É claro que não! Precisa querer mudar o que não é certo!

Mas sabe o que me entristece? Presenciei, em vários momentos da minha vida, o quanto as pessoas AINDA se recusam a enxergar direito. Pessoas que não tem argumentos, apenas decoram algumas frases de efeito e as repetem à exaustão. Sabem que não entendem e nem querer entender. Só dão atenção ao que acontece fora de seu mundinho quando são diretamente afetados. Por estudar numa faculdade de comunicação, às vezes tenho a ingênua impressão de que algumas verdades já comprovadas são de domínio público, mas não são – e mesmo se fossem, seriam rejeitadas por essas pessoas.

Eu enxergo muito bem, quando estou com as minhas lentes. O meu problema é outro: eu sou a Evey (interpretada pela talentosíssima Natalie Portman), antes de conhecer o V. Entendo tudo o que está acontecendo, mas ainda não me livrei do medo. Tenho a impressão de que minhas atitudes nunca chegarão à altura de minhas palavras, e me sinto hipócrita. Como posso julgar quem não sobe a montanha, se corro até o topo e me recuso a pular? Enquanto me afundo nesse dilema, acho que vou assistir V de Vingança mais uma vez. Quem sabe não me dá uma luz…

Data do post original: 16 de junho de 2013

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