Blue Eyes, Brown Eyes

Desde que minha irmã Mayara (olha ela de novo hehe) falou comigo sobre o experimento Blue Eyes, Brown Eyes da Jane Elliott, fiquei doida atrás de um vídeo dele. Acabei encontrando um documentário chamado Blue Eyed legendado no Youtube, e esse é o link que compartilho com vocês. Dá assistir qualquer outro vídeo do experimento, porque a ideia é a mesma.

Que ideia é essa? Em poucas palavras, ela divide um grupo de pessoas entre quem não tem olhos azuis (castanhos, verdes) e quem tem – nesses últimos, ela coloca um lenço no pescoço, pra identificar com mais facilidade. Ao longo da palestra, ela trata essas pessoas com todos os tipos de opressão e discriminação que minorias sofrem (negros, principalmente, mas também mulheres, homossexuais, etc).

Ela faz com que essas pessoas experimentem um tratamento que elas nunca sofreram, unicamente por uma característica física sobre a qual elas não tem controle. Para isso, ela antes pede ajuda do grupo dos Brown Eyes, que devem defendê-la e sempre olhar para os Blue Eyes com desprezo e cinismo – nas palavras dela, “act white”, agir como um branco (no caso, pessoa em posição privilegiada). Resumindo: ela quer ensiná-los a se colocarem no lugar do outro na marra.

É interessantíssimo ver as reações do grupo dos Blue Eyes. Alguns começam tentando fazer piadinhas, mostrando que não se abalam, outros se revoltam e dizem que não é justo receberem esse tratamento. Jane, que já é uma senhorinha, nunca se abala – ao contrário, despeja uma chuva de verdades neles. Ela fala “se vocês, que sabem que tudo isso é um exercício que vai acabar o fim do dia, estão com raiva, imagina viver uma vida inteira assim?”. Muita gente sai chorando.

Pelas reações dos Brown Eyes – que, em sua maioria, sofrem diariamente com o que estão assistindo -, dá pra ver que muitos também se emocionam. Não ficam exatamente felizes do tipo “Rá, bem feito!”, mas fazem desabafos emocionantes. É imperdível, você aprende tanto assistindo… É uma sequência interminável de tapas na cara.

Num momento, ela pergunta pros Blue Eyes: “Quando eu estava intimidando ela (uma das Blue Eyes), por que ninguém a defendeu?” e eles respondem :“Porque senão, eu viraria o alvo”. Os silêncios são densos, cheios de reflexão. Alguns deles até tentando falar umas frases feitas, e ela rebate falando “e quando você vê isso acontecendo com outra pessoa, você faz alguma coisa? Se você estivesse no lugar dela, você não gostaria de apoio?”.

Esses foram só alguns exemplos, mas as coisas que ela fala são incríveis. O método em si é considerado controverso e polêmico, mas é impossível assistir e não parar pra pensar… É muito fácil falar “hoje tudo é ofensa” quando ela nunca é dirigida a você. Quando o tratamento que você recebe é nitidamente diferenciado, mas insistem em te dizer que é coisa da sua cabeça. Quando você protesta e acham que você está se fazendo de vítima “Só por que é…”. E o pior que isso acontece entre minorias também – negro oprimindo mulher, mulher oprimindo gay, gay oprimindo trans.  

Talvez você esteja lendo e pensando “aff, menina branca de classe média-alta querendo fazer a engajada”. Com certeza não sou perfeita e vivo dando fora, reforçando preconceitos – todos nós fazemos isso. Ter empatia o tempo todo por todo mundo é bem difícil na prática, né? Mas, depois de ver esse experimento, tenho certeza, mais do que nunca, que é um esforço necessário. Vou me esforçar pra ser melhor cada dia, e espero que você também!

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