TOP FIVE: Monólogos de Filmes

Estava eu no ônibus, pensando na vida, e cheguei à conclusão de que escrever um monólogo e apresentá-lo de um jeito interessante num filme é um baita desafio. Geralmente, o monólogo é um recurso mais usado em teatro, por exigir muito da interpretação do ator.

Mas, quando bem executado num filme, o monólogo acaba gravado na memória – consegui pensar em cinco que sabia praticamente de cor antes de chegar no meu ponto! Aqui vão meus preferidos, que eu provavelmente usaria em todos os testes de elenco se fosse atriz.

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Turma da Mônica E A Estrelinha Mágica

Quem diria que um dos monólogos mais marcantes viria de ninguém menos que Cebolinha! Ok, esse é meio que uma piada interna da família, mas saquem só a profundida do conflito num filme de criança (ps: vou manter em Cebolinhês pra manter o feeling):

Natal? Deixa eu ver… É dia de ganhar plesente! Que dizer, de espelar plesente. Mas não devia ser assim… Uma vez, eu quelia um patins, mas ganhei uma bola. Fiquei tliste, e o papai, mais ainda. Mas ele não tinha dinheilo pra complar, e eu não sabia! Senão, não tinha feito aquela cala…

Pelo amor do meu bom Deus, isso é triste demais! Quanta crítica social em tão poucos segundos! Dá pra assistir no Youtube, mas, se você dos mais sensíveis, talvez seja melhor preparar uns lencinhos…

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Hedwig And The Angry Ich

Tenho um carinho todo especial por esse filme desde que o assisti, nas férias de inverno. Apesar de realmente ficar balançada com The Origin Of Love, uma das músicas dele, também gosto muito do monólogo que vem logo em seguida:

Está claro que preciso achar minha outra metade. Mas seria homem ou mulher? Como essa pessoa se parece? Idêntica a mim? Ou complementar, de algum jeito? Será que minha outra metade tem o que eu não tenho? Ele ficou com a beleza? A sorte? O amor? Nós realmente fomos separados à força ou ele simplesmente fugiu com as melhores partes? Ou eu fugi? Essa pessoa vai me envergonhar? E o sexo? É por ele que nós nos juntamos de novo? Ou duas pessoas realmente conseguem voltar a ser apenas uma?

Por mais que eu não acredite nessas coisas de almas gêmeas e tal, gosto como Hedwig fica divagando sobre o assunto – tudo isso por um vazio que ele sente dentro de si. Mas não vai ser outra pessoa que vai te consertar – aliás, ninguém tem obrigação de te consertar. Só você, que é o despedaçado em questão.

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Lisbela E O Prisioneiro

Lisbela é, sem dúvidas, meu filme nacional preferido! Já assisti umas mil vezes, a ponto de decorar algumas falas – incluindo esse monólogo. Como o filme é inspirado numa peça de teatro, tem vários monólogos legais de personagens diferentes, aliás.

Mas o que sempre me emociona é o mais romântico, por motivos de: sou fofa. Ao som de Clarice Falcão na puberdade (sim, ela fez parte da trilha desse filme), a Lisbela joga o buquê no chão no meio da igreja e fala:

O amor me chamou pra um outro lado, e eu fui atrás dele. Eu pensei que, se eu não fosse, a minha vida inteira ia ser assim: vida de tristeza, vida de quem quis, de corpo e alma e mesmo assim não fez! Aí eu fui… Eu fui, e vou… Toda vez que o amor me chame, cês me entendem? Como um cachorrinho! Mas coroada como uma rainha!

Ela vai falando meio rodando, pra se dirigir a todos, a câmera roda também, é a coisa mais linda! Às vezes eu choro só um pouquinho, pra não ficar chato, sabe…

Frances Ha

Quem me conhece sabe o quanto sou louca por Frances Ha. É um filme que faz bem, eu me identifico com tanta coisa! É melancólico, mas também tem uma leveza que acaba deixando o filme mais alto astral. Num jantar estranho com gente esquisita, a Frances tá mega deslocada, mas fazendo o seu melhor pra se misturar, e acaba fazendo uma reflexão doida e linda:

É quando você está com uma pessoa, e você a ama e ela sabe, e ela te ama e você sabe, mas vocês estão numa festa… E os dois estão falando com outras pessoas, rindo, radiantes… E aí você olha pro outro lado e seus olhos se encontram… Mas não por ciúmes ou sedução, mas porque… Aquela é a sua pessoa nessa vida.

E é engraçado e triste, porque essa vida vai acabar, e esse mundo secreto surge em público, despercebido, e ninguém mais percebe. É que nem quando dizem que existem outras dimensões à nossa volta, mas nós não temos capacidade de notá-las. É isso que eu quero de um relacionamento. Ou só da vida, eu acho.

Não sei o que gosto mais: do monólogo, da reação da galera (que fica ao mesmo tempo com pena e ao mesmo tempo meio WTF) ou da fala seguinte dela. “Noooossa, tô super bêbada… Não, não tô não”. É tipo quando você se expõe demais e fica querendo fazer o descolado depois, quem nunca!

Pulp Fiction

Não podia faltar um toque de Tarantino, né! Aposto que você nem leu e já sabe: Ezequiel 25:17. Mas eu gosto mesmo é da versão final, em que o Jules desabafa (com uma arma na mão, é claro) com o Pumpkin/Ringo. Deixo vocês com esse textão:

“O caminho do homem justo é envolvido por todos os lados pela injustiça dos egoístas e pela tirania dos homens maus. Abençoado é aquele que, em nome da caridade e da bondade, guia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é de fato protetor de seus irmãos e pastor dos filhos perdidos. E eu derrubarei com grande vingança e fúria aqueles que tentarem envenenar e destruir meus irmãos. E vocês saberão que eu sou o Senhor quando despejar minha vingança sobre vocês.”

Eu digo essa merda faz anos. E se você ouvisse, provavelmente você estaria morto agora. Nunca pensei muito no que significava. Era só uma coisa insensível pra eu falar antes de explodir a cara de um filho da puta qualquer. Mas hoje manhã vi uma coisa que me fez pensar duas vezes.

Agora eu tô pensando: talvez você seja o homem mau. E eu sou o homem justo. E essa arma aqui é o pastor me protegendo no vale da escuridão. Ou talvez você seja o homem justo, eu sou o pastor e esse mundo que é mau e egoísta. Eu gostaria disso, mas não é verdade. A verdade é que você é o fraco. E eu sou a tirania dos homens maus. Mas eu estou tentando, Ringo. Estou tentando de verdade ser o pastor.

 

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