How To Get Away With Murder

Sabe quando você acompanha tanta série que dá preguicinha de começar mais uma? Por causa disso, demorei demais pra ver HTGAWM. Na verdade, foi só quando a Viola Davis ganhou o Emmy (e fez um discurso incrível) que eu pensei “Pô, tá até na Netflix… Por que não?”. Quando li a sinopse, pensei que seria aquela coisa de sempre: estrutura episódica (cada episódio contando sobre um caso diferente), com algumas subtramas do elenco fixo pra rechear – que nem no Grey’s Anatomy, também criado pela Shonda Rhimes.

Aliás, até assisti algumas temporadas de Grey’s, mas nunca me prendi muito. A real é que essa estrutura episódica não me agrada tanto quanto a seriada, em que um episódio “depende” mais do anterior. Claro que na real séries episódicas também tem um quê de seriadas. Você acompanha o avanço da Meredith, por exemplo, mas num ritmo bem mais lento, pra dar espaço pro “tema do dia”.

ABC's "How to Get Away with Murder" - Season One

How To Get Away With Murder, pra mim, é uma série híbrida legítima – ou seja, equilibra muito bem a narrativa episódica com a seriada. Só o fato da narrativa ir e voltar no tempo constantemente já dá uma boa arejada, além de intensificar o suspense de “Quem matou fulano”. Aliás, se pensarmos dessa forma, são três tramas se desenrolando ao mesmo tempo a cada episódio (o caso “do dia”, o caso da Lila e o caso que aparece em Flash Forward, com os alunos envolvidos). Imagina a doideira que foi pra amarrar esse roteiro!

Além de tudo isso, precisamos falar desses personagens. Quanta profundidade, meu Deus! A Annelise dispensa qualquer comentário, é a protagonista feminina mais interessante e tridimensional que vejo há tempos! Li um texto incrível que fala sobre a aceitação do público com relação a anti-heroínas (pena que está em inglês…).

Resumindo, o texto fala sobre como achamos super ok um Walter White ou Frank Underwood da vida ser completamente antiético, cruel e egocêntrico, mas repudiamos um comportamento semelhante quando vem de Annelise ou mesmo da Piper Chapman (cheguem na 3a temporada e entenderão). Estamos tão acostumados a julgar e questionar moralmente as mulheres na vida real que passamos isso pra ficção, e de repente uma personagem como ela não é aceitável nem inspira empatia. Tá ˜serto˜.

viola2bdavis

Claro que não estou passando a mão na cabeça da Annelise e dizendo “olha que fofura, continua assim que tá linda viu”. Eu sei que ela erra e é bem implacável, mas assim como Walter ou Frank, ela é TÃO interessante que é impossível não torcer por ela! Na real, acho ela até mais humana, por mostrar mais vulnerabilidade – o que não a torna menos forte como mulher, aliás.

Os outros personagens também têm várias nuances. Adoro como os alunos realmente não se gostam (não é aquela coisa de filme adolescente que todos viram bffs com o tempo), mas são obrigados a conviver. A representatividade também é linda de se ver – personagens negros, mulheres e gays em cargos diversos, que nem – pasmem – na vida real. HTGAWM representa uma baita evolução no estilo da Shonda Rhimes, uma showrunner já mega conceituada. Vamos ver o que a segunda temporada vai trazer!

 

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