Master Of None

Depois de algumas pessoas me recomendarem, comecei enfim a assistir Master of None. Sinceramente, não esperava grande coisa. Só sabia que o seu co-criador e protagonista, Aziz Ansari, era comediante de stand up – talvez por isso, já imaginei que seria uma série leve e engraçadinha.

Por isso, também, já me preparei para aturar aquele tom meio egocêntrico e situações ligeiramente forçadas, elementos que geralmente acompanham esse tipo de humor. Não que eu ache ruim, já vi performances de stand up muito boas. Nem imagino a pressão absurda que esses caras devem sentir pra serem engraçados – por isso, nada mais estratégico que assumir uma persona mais confiante e revoltadinha.

Mas, pra minha surpresa,  o protagonista Dev é bem carismático, assim como todos os personagens. Eles não se esforçam para esconder suas falhas e imperfeições, o que os torna extremamente autênticos. Também é interessante a dinâmica entre deles como grupo:  às vezes, eles estão em uma discussão acalorada que, momentos depois, perde completamente a relevância diante de algum assunto cotidiano – como o lugar onde eles vão comer ou uma episódio novo de uma série.

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Ao longo da temporada, a série passeia por temas profundos com fluidez, estimulando a reflexão sem precisar criar momentos mega dramáticos. Cada episódio tem uma estrutura particular, mas percebi uma característica em comum muito interessante: no final, sempre acontece uma quebra de expectativa. Você acha que a história está caminhando para um desfecho, e na última cena, ela te dá uma rasteira como se dissesse  “LOL, só que não”!

 

As temáticas em geral me agradaram muito, especialmente por estarem inseridas na realidade de uma geração que acompanhou muitas mudanças tecnológicas e sociais. São os adultos que estão vivenciando uma juventude prorrogada, se comparada a de seus pais – mas ainda estão se adaptando as inúmeras possibilidades que o meio digital trouxe.

 

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Eles ainda tem disposição para correrem atrás de seus sonhos, mas sem esquecer suas responsabilidades. Podem se permitir algumas aventuras, mas já sentem plenamente o peso das suas escolhas. Sabem que não devem levar a vida tão a sério, mas começam a sofrer com as famosas pressões sociais (Tá solteiro(a) ainda? Não vai casar? E o emprego, ainda é o mesmo?).

Essa leve frustração dá as caras logo no título, Master of None (expressão usada pra quem conhece muitos assuntos, mas não se aprofunda em nenhum). Mas Dev está longe de se abalar, sabendo levantar todos esses questionamentos enquanto ri de si mesmo – em uma crítica social bem humorada e de bom gosto. Master of None é uma série que olha pras dificuldades da vida e diz: “Olha, pode estar ruim, mas não é o fim do mundo. Aproveite como puder!”.

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