Não chore pela limonada derramada!

“I have pretended to go mad in order to tell you the things I need to. I call it art. Because art is the word we give to our feelings made public. And art doesn’t worry anyone” – Iain Thomas

(“Eu fingi estar louco para te dizer as coisas que preciso dizer. Eu chamo isso de arte. Porque ‘arte’ é a palavra que usamos para tornar nossos sentimentos públicos. E a arte não preocupa ninguém.”)

Depois do lançamento de Formation, esperava-se que o novo álbum da Beyoncé, Lemonade, mantivesse a reafirmação da identidade presente no single, com uma postura mais política e engajada: abordar as dores da população negra, denunciar preconceitos, empoderar as mulheres. Há quem diga que, no fim das contas, esse realmente foi o tema do álbum, e a maioria está levando as músicas muito ao pé da letra.

Mas acontece que as letras em Lemonade são extremamente pessoais, num nível que causa até um pouco de desconforto – tipo “Beyoncé, sua louca, cê nem me conhece! Como você me conta tudo isso???”. Por mais que pareça o sonho de um fã ou jornalista conhecer a intimidade de um dos casais mais influentes da música, dói um pouquinho quebrar aquela imagem de perfeição e ~relationship goals~ de Mr. e Mrs. Carter, que já estão juntos há mais de 15 anos.

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Você não precisa ser um mestre a interpretação de texto pra entender que, pelo jeito, o Jay-Z realmente traiu a Beyoncé em algum momento – talvez, até mais de uma vez. Já é uma situação delicada por si só, imagine então pra quem tem a visibilidade dos dois! Acho bem insensível quem diz que ela é uma sonsa por continuar com ele, mas ao mesmo tempo fico meio assim… Tipo… Você é a Beyoncé! Se existe alguém forte e autossuficiente, é você. Vale a pena continuar nessa?

Essa acaba sendo a pergunta que dá o start em Lemonade. Ao longo do álbum, passamos pelos vários sentimentos que envolvem um relacionamento em crise: a falta de confiança, o ressentimento, a vontade de desistir. Por outro lado, temos a retomada da identidade própria, a  independência financeira e a liberdade, em suas mais variadas formas.  Lá pro fim do álbum, ela acaba se decidindo: eles vão trabalhar nisso e restabelecer a confiança como casal, em vez de abrir mão de tudo que construíram juntos.

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Em vez de entenderem a Beyoncé como uma mulher normal, com seus defeitos e qualidades, parte do público quer endeusá-la e atacar qualquer possível “Becky do cabelo bom” e outra parte faz piadas que a taxam de vingativa e impulsiva. Queria apresentar um grande amigo pra essa galera: o meio-termo. No fim das contas, a lição que fica é a de que não importa o sucesso e o dinheiro: quando se fala de relacionamento (e falo no geral, não só o amoroso), todos temos dificuldades. É aquele velho ditado: gente, é tudo gente!

Já falei em algum dos meus textos pela vida que a melhor coisa que um artista pode fazer pelo seu trabalho é se expor – por mais que, para ele como pessoa, possa ser a pior. É assim que se faz boa arte, não tem jeito. Do imperfeito, da dor. Com um álbum tão confessional, é inegável que houve uma entrega total por parte dela. Imagino se ela sentiu aquela leveza de espírito que eu sinto depois de desabafar escrevendo num word que não salvo depois. Será que, da próxima vez, eu deveria fazer a Beyoncé e  publicá-lo?!

 

 

 

 

 

 

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