Qual é o problema da Clarice?

 

Desde que o Porta dos Fundos bombou, fiz parte da legião de fãzocas da Clarice. Amei as letras dela, cheias de um humor bem sarcástico – e, às vezes, até meio ácido.. O seu estilo sempre me lembrou muito a Lily Allen: voz suave, melodia fofa, mas muita zueira envolvida. Mas, no caso da Clarice, as músicas sempre tinham uma pegada  mais romântica, bem amorzinho mesmo. Ela namorava há anos com o Gregório Duvivier, formando um daqueles casais que você shipa sem pensar duas vezes.

 

Mas eis que, um dia, eles terminam. Ela corta o cabelo curto e anuncia que vai sair do Porta dos Fundos. O QUÊ? Calma, Clarice, assim a gente não aguenta! Fã tem uma coisa louca de levar tudo muito a sério – sendo que, hm, nem é a vida deles. Eu não teria paciência! Mas a Clarice, ao que parece, encarou tudo isso muito de boas.

 

clarice-falcao-survivor

Ano passado, ela fez um baita retorno lançando um cover de Survivor, do Destiny’s Child, com um clipe feminista MARAVILHOSO! Sério, eu me arrepio até hoje. Fico toda felizinha quando uma artista se afirma feminista assim, com firmeza. E já deu um tom do que ela mostraria no seu segundo álbum, Problema Meu.
Se antes, suas músicas eram canções sobre seu relacionamento, nos mais diversos estágios (“estou super apaixonadinha” em Monomania, “imagina que loco a gente ficar junto” em Macaé, e meu favorito “se a gente terminar eu vou me ferrar bonito” em Um Só), nesse novo álbum, ela passa longe disso tudo. Dá pra ver uma mudança no comportamento do eu lírico das canções dela – que, claramente, deve ter vários elementos autobiográficos.

 

Ela se coloca em primeiro lugar, não se sujeita mais que nem antes. Claro, tem umas letrinhas meio amarguradas, com uma vingancinha de leves (como em Deve Ter Sido Eu e Banho de Piscina). Mas, de maneira geral, o álbum é sobre como ela superou todas essas reviravoltas que o término deve ter trazido. De uma forma ou de outra, ela mantém o bom humor!

 

clarice-falcao-ironico

Irônico é a minha faixa preferida, acho a letra incrível! Mas também gosto bastante de “Como É Que Eu Vou Dizer Que Acabou?” (em que ela tá tentando terminar com o cara) e “Duet” (em que ela tem que improvisar a letra, porque a música seria um dueto com o cara, mas eles terminaram).

 

Outra que acho bem profunda é Vagabunda, em que ela chama a mulher que ficou com o namorado dela pra tomar um chopp – essa me deixou com a pulga atrás da orelha, porque tem boatos que o Gregório traiu ela, mas achei bem madura. Não dá pra negar que ela cresceu de um álbum pro outro, como pessoa e artista.

 

Ela finaliza o álbum com “Clarice”, em que ela comenta as críticas que fazem a ela como artista. Em outra baita letra, ela fala sobre o fato de usar sempre os mesmos acordes e falar de forma simples. De fato musicalmente, ela não faz nada muito elaborado. Mas e daí? São músicas gostosas de ouvir, cheias de ironia e referências engraçadinhas. Descomplicar também é arte, né não?

 

 

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