Stranger Things e a nostalgia das coisas

Mesmo que você viva no mundo invertido, não tem pra onde fugir: nas redes sociais, só se fala de Stranger Things – metade dos posts vem de quem viu e amou e a outra metade, dos diferentões que reclamam do hype sem nem ter assistido. Num primeiro momento, nem passou pela minha cabeça assistir: terror não é pra mim, sou medrosa demais. Fiz o sinal da cruz e segui vivendo a vida.

Vi que tinham crianças e a curiosidade apertou. Tomei coragem de ver os trailers e achei ok! Pra quem viu American Horror Story, acho que consigo, pensei. E realmente, a série é boa demais! Tem um suspense na medida certa – não é aquela coisa trash, mas consegue ter uma vibe meio Goosebumps (aquela série infantil de terrorzinho que me fazia mudar de canal).

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Mas por que a série fez um sucesso tão escandaloso? Bom, como eu disse no post sobre House of Cards, o pessoal da Netflix não brinca em serviço, e investiu pesado em recriar a atmosfera dos filmes mais icônicos dos anos 80 – tem até um vídeo mostrando as várias referências usadas ao longo da série. Resumindo: além de criar uma série interessante por si só, tiveram um cuidado especial para atrair o público mais velho.

Basta se perguntar: se a série se passasse nos dias atuais, será que as pessoas estariam nesse frenesi todo? E se, em vez de Should I Stay or Should I Go, o Will gostasse de ouvir Hotline Bling?! A trama poderia ser exatamente igual, com as reviravoltas e personagens incríveis, mas o impacto seria outro.

A nossa memória afetiva funciona de um jeito muito louco – tanto que mesmo quem não passou a infância nessa época também fica nostálgico, por ter assistido filmes como Clube dos Cinco e séries como Três É Demais quando criança. A gente sente um calorzinho no peito que uma história que se passa nos dias atuais (ou mesmo do futuro) não consegue transmitir.

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Lembrando que isso não bastaria para Stranger Things ser um sucesso. O uso excessivo de referências sem contexto poderia deixar a história forçada e previsível – como uma conversa de velhos amigos que só falam do passado toda vez que se encontram. O diferencial da série foi justamente o equilíbrio entre o novo e o familiar.

Stranger Things encontrou uma boa saída para que conteúdo original consiga seu lugar ao Sol, em meio aos constantes remakes e reboots de sucessos antigos. É fato que, em tempos de “internet das coisas”, uso de Ipads em escolas e jogos de realidade aumentada (ainda que com o mesmo apelo nostálgico, como em Pokémon GO), muita gente quer apenas se lembrar de quando tudo era mais simples. 

PS: Se você é desses, dá uma conferida no Rebobinando – ok, parei.

 

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