Gilmore Girls é série “de mulherzinha”?

 

Quando entrei na pré-adolescência, ser feminina estava fora de moda: decidi que odiava rosa, julgava meninas que eram “patricinhas” e só ouvia rock. Já tinha alguns gostos considerados “masculinos”, por brincar muito com o meu irmão de Cavaleiros do Zodíaco (sempre era o Shiryu, por motivos óbvios) ou jogar videogame.

Isso me fazia sentir descolada, diferentona – mesmo sendo mega insegura por dentro. Lembro de ter ouvido falar de Gilmore Gils e só o título já me dava preguicinha: “é série de mulherzinha, aff!”. Dez anos depois, percebo o quanto esse pensamento é problemático, por vários motivos:

  •  O fato de uma série (ou qualquer conteúdo, aliás) ser menosprezada por se voltar ao público feminino é um baita de um preconceito – como se os conflitos da mulher fosse menos densos ou interessantes do que os dos homens.
  • Se eu tivesse parado pra assistir uma ceninha sequer, perceberia que a Lorelai e a Rory estão longe dos estereótipos de “mulher perfeita”que a mídia insiste em enfiar na nossa cabeça (pelo menos na personalidade).
  • Julgar uma mulher só por ela ser feminina é tão babaca quanto a pressão social para que todas sejamos assim (ps: não vou aprofundar na questão do gênero pra não complicar, mas saibam que o buraco é mais embaixo).

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Agora que finalmente dei uma chance pra Gilmore Girls, me apaixonei! Até me arrependo de não ter assistido quanto mais nova, porque fala de muitas inseguranças que toda garota tem (e nem sempre quer falar sobre). Isso sem falar da representatividade feminina: duas protagonistas e várias personagens mulheres, com diferentes histórias e personalidades.

Me agrada bastante a forma como as protagonistas subvertem clichês que vemos por aí o tempo todo: uma mãe solteira bem resolvida, divertida e independente, que engravidou quando adolescente e não se casou somente porque não quis, e uma filha responsável, madura e confortavelmente introspectiva.

Falando no aspecto mais técnico, tem coisas que não me agradam tanto: acho os episódios longos demais para uma série de comédia, o que faz a história se arrastar um pouco. Os diálogos rápidos, que são marca registrada da série, funcionam muito bem na maioria das vezes – mas, às vezes, soam ensaiados e artificiais. Outra coisa são as transições, com uma vozinha feminina fazendo uns LALALALA que ficarão na minha cabeça até o fim dos meus dias.

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Mesmo com tudo isso, fiquei encantada com a atmosfera de cidadezinha do interior e com o desenvolvimento dos personagens (até dos coadjuvantes), que deixam o universo da série ainda mais colorido. A trama é despretensiosa, mas muito envolvente. Tem um quê de novela das seis, com aqueles dilemas de “com quem será que ela vai ficar?”, mas com uma linguagem leve e comportada: é o tipo de série que eu assistiria com a minha filha depois do almoço.

Parece besteira, mas é uma série que me traz um conforto, uma identificação muito grande. É legal ver séries com histórias mirabolantes e futuros distópicos, mas Gilmore Girls acaba conquistando com sua simplicidade. Ela é autêntica, não força pra ser engraçada, não exagera no drama e é uma boa companhia pra todas as horas – que nem uma boa amiga. Se Gilmore Girls é série de mulherzinha, é isso que eu sou!

 

 

 

 

 

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