O que cenas de ação me ensinaram sobre relacionamentos

Você já viu a cena: no meio de algum tipo de combate aéreo (intergalático ou não), a nave é atingida e perde o controle. Pra se safar da morte certa, o piloto aperta o botão de ejetar e a cadeira dele voa como um foguete pra cima e abre um balãozinho.

Que adrenalina, não? Nunca imaginei que aquelas sequências de ação frenética, que raramente me prendem a atenção, iriam inspirar um texto meu!

Já li muito sobre como é perigoso ficar criando barreiras pra se proteger das pessoas – inclusive, o site do TED tem um baita texto sobre isso. Mesmo que deem uma sensação de segurança, esses muros impedem que você se conecte pra valer com as pessoas.

Essa metáfora é um jeito bem eficaz de pegar o espírito da coisa, mas pra mim não serve. Eu não me sinto presa e dificilmente deixo de fazer o que eu tenho vontade, independente de como estejam os meus relacionamentos – sejam amorosos, familiares ou de amizade.

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Daí que eu lembrei dessas cenas de ação e tudo se encaixou: eu não construo muros, isso demora muito – e deve dar uma dor na lombar… Eu aperto um botãozinho vermelho e saio voando pra bem longe: eu ejeto. Parei pra pensar e me assustei ao perceber que eu já fiz isso muitas vezes ao longo dos meus 22 aninhos:

“Não aguento mais, se essa nave não explodir, eu vou! Partiu!”

“Essa nave não presta, EJECT nela!”

“Aquele babaca tirou fina da minha nave! Que perigo, melhor ejetar.”

Antes que eu me esqueça, não me arrependo da maioria das vezes que ejeitei. E não me entendam mal: minha nave já foi atingida pra valer, e eu me salvei por pouco. Mas também aconteceu da nave seguir bonitinha, no piloto automático.

Identificar um padrão desses foi meio perturbador, especialmente com a tecnologia avançando tanto (#BlackMirrorfeelings). Vai que chega um algoritmo louco dizendo: Hm, ela costuma ejetar depois de x tempo. Vamos ejetar ela automaticamente, ela vai adorar a praticidade!

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Sem falar que o problema não se resolve só ejetando. Sair voando quando bem entendo dá uma sensação de liberdade e poder, como se eu estivesse no controle. Mas quando o propulsor desliga, eu só fico lá, pairando no ar.

E se não tiver pra onde ir de lá? E se furarem meu paraquedas e eu me espatifar no chão? Se for uma batalha, podem muito bem atirar em cheio no meu corpinho desprotegido.

Talvez fosse melhor ter ficado e resolvido o problema na nave – não sou nenhuma engenheira, mas uma gambiarra poderia dar certo. Mas, por outro lado, a nave poderia estar sem salvação, e insistir em ficar seria fatal… Depende da nave.

No fim, é tudo uma questão de sobrevivência – e de continuar voando, seja como for.

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