TOP 6: Black Mirror (3ª temporada)

Verdade seja dita: meu post de Black Mirror já não representa a série que todo mundo vê e ama hoje em dia. Não querendo dar uma de hipster (apesar de eu realmente ter assistido “before it was cool”), mas lembro que quando escrevi aquele post, pensei que quase ninguém ia ler/curtir, porque não se falava muito da série.

Pois bem: a terceira temporada chegou, e agora só se fala dela – rendeu até o engraçadíssimo meme “Isso é tão Black Mirror!”. Por isso, achei digno fazer um post mais detalhado sobre essa temporada, que foi produzida em parceria com a Netflix (as outras duas temporadas a Netflix só exibiu mesmo).

Já digo que, sinceramente, senti uma diferencinha dessa temporada em relação às anteriores. Não sei se é a direção, mas agora parece que cada episódio carrega o fardo de ser tão bom quanto os outros – o que, a meu ver, comprometeu o desfecho de alguns episódios. Mas tudo bem, porque continua incrível!

Vou falar um pouco de cada episódio por ordem do episódio que gostei menos até o meu preferido (SPOILERS À FRENTE):

6) San Junipero

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Eu sei o que você está pensando: ” Só deixou esse por último porque tem final feliz!”. Não é SÓ isso. Eu gosto da história de San Junipero, acho fofinha. Mas o problema é que demora demais pra você entender o que tá acontecendo – nos primeiros 20 ou 30 minutos, a sensação é de ter clicado na série errada. Não tem nenhum momento muito impactante, como costuma ter em Black Mirror, e quando você entende a tecnologia por trás, a reação é tipo: Ah, era isso. Apesar de gostar do episódio, acho que ele destoa muito do restante da temporada – e sim, isso também tem a ver com o final.

5) Playtest

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Playtest tinha MUITO potencial. Desde o começo, você sabe que algo bem sinistro tá pra acontecer, mesmo sem saber como. A postura meio cínica do protagonista só nos dá mais certeza de que ele vai se desarmar completamente ao longo do episódio. Eu gosto muito desse episódio, porque ele tem tudo o que se espera de Black Mirror – mas o final me decepcionou um pouco. Minha impressão foi de que não souberam qual seria o melhor final pra história, então arranjaram um jeito de colocar todos. Ainda assim, saldo positivo pra ele!

4) Hated in The Nation

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Hated in The Nation propõe uma reflexão necessária sobre o impacto das nossas ações online no mundo real. Um dos grandes triunfos de Black Mirror é pegar uma tecnologia possível e usá-la como ferramenta para mostrar que, no fim, o problema são as pessoas mesmo. Mas, também por esse motivo, esse episódio fica no meio da lista: a parte do ódio online é 100% real, mas as abelhas assassinas já dão uma forçada – que a gente aceita, mas dá um caráter meio megalomaníaco pra história toda. Também acho o episódio um pouco longo demais, e o final meio x.

3) Nosedive

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Nosedive abriu essa temporada e fez muito barulho nas redes sociais – o que faz todo sentido, risos. Comparando com os demais, esse episódio tem dois pontos muito fortes: primeiro, é MUITO possível. É o tipo de tecnologia que poderia ser lançada amanhã- afinal, o hábito viver de aparências já é uma realidade! Justamente por isso, o segundo ponto forte é o final, quando ela troca insultos com o outro cara preso, porque ambos não tem mais nada a perder – uma cena muito poderosa! Por outro lado, a trama é um pouco previsível: o próprio nome do episódio já entrega que a pontuação dela vai cair ao longo da história.

2) Shut Up And Dance

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FINALMENTE, o plot twist que eu tanto esperei! Shut Up And Dance é, provavelmente, o melhor episódio da temporada -só está em segundo aqui pelo meu gosto pessoal. Pra começar, a tecnologia usada no episódio não é futurista, é contemporânea – essa história poderia acontecer HOJE. Tenho até impressão de que eles pegaram a premissa de Pretty Little Liars e disseram “Ok, vamos fazer isso direito!”.

Muito se fala da falsa privacidade que temos online, e esse episódio chegou pra deixar todo mundo paranóico de vez! A progressão da trama é incrível, você fica aflito pelo menino a história toda -até que chegamos no final, com uma reviravolta impensável. A vontade foi levantar do sofá e aplaudir de pé!

1) Men Against Fire

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Que episódio necessário, que timing excelente! A tecnologia, nesse episódio, é uma metáfora refinada sobre pontos de vista, sobre como nossa perspectiva pode ser alterada pela informação que escolhemos receber – e o final deixa isso muito claro: é uma escolha.

E o mais louco é que, quando o protagonista começa a ver as “baratas” como pessoas normais, a primeira coisa que pensei foi: “Meu Deus, as baratas afetaram o cérebro dele pra ele mudar de lado! Que horror!”. Incrível como a gente aceita pressupostos sem questionar, né?

Senti um aperto no coração quando a mulher “barata” diz que as pessoas que não são do exército não as veem como baratas, mas escolhem tratá-las diferente simplesmente para não questionar a ordem que vem de cima. O problema está sempre no outro, no que é diferente, no que afeta nossos próprios interesses. Tão real que dói!

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