Crazy Ex-Girlfriend

Sempre que a Netflix postava pedindo sugestões de filmes e séries pra adicionar no catálogo, lá estava eu pedindo Crazy Ex-Girlfriend – vi os primeiros episódios e me apaixonei, mas os links começaram a travar e tive que parar de assistir. Quando a Netflix finalmente atendeu minhas preces, só faltou eu soltar rojão no quintal de casa!

Acho que o principal diferencial da série não é apenas o fato de ser musical, mas o fato de que as músicas são usadas como ferramentas de humor. Diferente de Glee (que já fez sua parte abrindo a porteira das séries musicais), Crazy Ex-Girlfriend é, antes de tudo, uma série de comédia.

E sério: as músicas são MUITO engraçadas! As letras são cheias de sarcasmo e tem até um pouco de metalinguagem – tipo, “eu nunca tinha tocado piano até agora” e “esse vídeo estourou nosso orçamento de produção” – e passam por uma série de estilos musicais diferentes.

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Em vez de tentar deixar as performances mais “realistas” e inseridas no contexto (como alguns filmes musicais mais recentes, como Begin Again e Once), Crazy Ex-Girlfriend vai na contramão e apela pro absurdo: os números musicais são exagerados e surreais, como se fossem devaneios das mentes perturbadas dos personagens. Por ser uma comédia, tudo isso se aplica muito bem.

Conforme fui assistindo, percebi como minha percepção da protagonista mudou. Nos primeiros episódios, a gente vê a Rebecca como uma personagem caricata, de tão doida! Mas, aos poucos, todo esse desequilíbrio emocional vai ficando cada vez mais realista, o que aumenta nossa empatia e até identificação com a personagem.

Quando me dei conta, sofri junto com ela e até chorei em alguns momentos! Imagina, jamais achei que ia CHORAR vendo uma série tão trabalhada na zoeira. Mas é que, querendo ou não, a série fala muito de inteligência emocional – coisa que praticamente ninguém tem, risos. No fim, a Rebecca só quer ser amada. Impossível não se identificar com isso!

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Outra coisa que acho muito bacana é a diversidade: os personagens centrais têm diferentes etnias, idades e opções sexuais – e tudo isso é abordado com a maior naturalidade do mundo, sem crise.

Preciso abrir um parêntese para dizer que, por ser feminista e sempre tentar desconstruir preconceitos na minha cabeça, fica bem difícil encontrar uma série de humor que não dê umas bolas fora de vez em quando (a única que me lembro que achei mais ~desconstruidona~ foi Master of None).

Por essas e outras, Crazy Ex-Girlfriend é a série de comédia que eu pedi a Deus: além de ser musical (e não tenho vergonha em dizer que sou MALUCA por musicais), a série tem um humor inteligente, cheio de autocrítica e ironia. Ah, e ainda é escrita por uma dupla de mulheres (incluindo a própria atriz principal). Não preciso de mais nada!

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