Especial Oscar 2017

Pelo quinto ano consecutivo, cá estou pra falar dos indicados a Melhor Filme – já sou praticamente formada em Oscar, veja só! Terminei a maratona com um saldo mega positivo: achei o nível dos filmes desse ano altíssimo. Só teve um filme que não gostei – pra saber qual, vai ter que ler o post sim!

Já tenho meu TOP 3 bem definido: La La Land, Hidden Figures e Arrival. Aliás, esse foi um ano difícil pros tradutores de nome de filme, hein? Mantive os nomes em inglês pra ficar mais simples – e tomei a liberdade de elaborar uns subtítulos sincerões. Então, bora lá:

 

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Arrival (Ou: Pessoas de Humanas Também Podem Salvar o Mundo)

Ficção científica é um gênero meio estigmatizado, o povo não leva muito a sério. Por isso, só a indicação de Arrival já sinalizava que o filme era bem bom. Com uma abordagem mega original, o filme retrata a missão de uma linguista que precisa se comunicar com os alienígenas que invadiram a Terra.

Mas, conforme o filme vai se desenrolando, a trama tem umas reviravoltas que OLHA… É aquele filme que dá vontade de ver de novo depois que você sacou “qual é” – até me lembrou A Origem um pouquinho. Amy Adams foi bem esnobada, coitada, deu uma baita performance. Enfim, filmão!

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Fences (Ou: Nunca Mais Reclame De Ser Millennial)

Preciso dizer que esse filme me desiludiu um pouquinho. Achava que era sobre injustiça social, racismo institucional e pá… Mas a perspectiva é muito mais doméstica, um estudo de gerações mesmo. As atuações do Denzel e da Viola são ótimas (quero Oscar pros dois, bjs); mas achei a direção apenas ok.

Muitas coisas me revoltaram no enredo, mas não tem jeito: o filme retrata a mentalidade de outra época. Até acho que a geração dos meus pais poderia enxergar seus próprios pais nos personagens, em maior ou menor grau. Interessante, mas fiquei meio baixo astral.

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Hacksaw Ridge (Ou: Dessa Vez A Cota de Filme de Guerra Valeu A Pena)

Esse eu tava 100% pronta pra dormir assistindo, porque não suporto filme de guerra (com raras exceções). Mas não é que é bom? O filme conta a história de um médico de guerra que se recusava a matar e nem sequer ia armado pro campo de batalha – história real, diga-se de passagem. A atuação do Andrew Garfield me surpreendeu, gostei muito dele e do personagem!

Só achei as cenas de esculacho no treinamento militar meio blé (especialmente pra quem já viu Full Metal Jacket do Kubrick) e o final é meio over. Mas, no geral, fiquei surpresa de ter gostado tanto!

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Hell or High Water (Ou: Thelma e Louise Para Meninos)

Outra grata surpresa entre os indicados! O filme tem um equilíbrio bacana entre forma e conteúdo: com uma roupagem de faroeste + roadmovie, o tema central é o relacionamento, a “broderagem” (tanto entre os irmãos ladrões quanto entre os policiais que os perseguem).

Meus olhinhos de roteirista brilharam ao ver personagens que se complementam, diálogos impactantes e uma trama super bem resolvida: absolutamente tudo que é mostrado e dito leva a história pra frente. Também é violento, o que pode fazer o filme ser meio 8 ou 80. Pra mim é 80!

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Hidden Figures (Ou: Que Filme Desconstruído Da Porra – Sem Sarcasmo)

Preciso segurar a emoção pra falar desse, porque NOSSA, COMO EU AMEI! Amo tudo que esse filme representa. Ele conta a história de mulheres negras reais, que enfrentavam diariamente o combo machismo + racismo para auxiliar nos cálculos e estudos da NASA.

Agora pensa: quantas mulheres (especialmente negras) não devem ter sido apagadas de grandes descobertas da ciência, da engenharia – enfim, da história? Filme necessário, espero que crie uma tendência. As atrizes estão ótimas, com destaque para a Octavia Spencer como Dorothy – a única que não precisou da boa vontade de um homem branco pra alcançar seu objetivo.

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La La Land (Ou: Como Se Eu Precisasse De Mais Motivos Pra Visitar LA)

Já fiz um post aqui no blog com minhas impressões gerais dessa lindeza. Foi o primeiro dos indicados que vi e continua sendo o favorito (mas Hidden Figures chega bem perto).

Aproveito o espaço pra falar de termos técnicos: gosto muito do trabalho com as cores nesse filme. Não domino muito o assunto, mas me chamou a atenção, assim como a fotografia, com movimentos de câmera expressivos. A estrutura da trama, separando cada estação, já não achei tão marcante – à primeira análise, me parece dispensável.

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Lion (Ou: De Volta Para Minha Terra ft. Branded Content do Google Maps)

Eis que fui surpreendida novamente: mais um filme muito bom! Como não ouvi muita gente comentando desse, achei que era chatão – mas me deparei com outra história real de chorar de tão linda. O filme conta a história do Saroo, um menino indiano que dorme no ponto (risos, na verdade é na estaçnao de trem) e se perde da família.

Mas se perde MESMO – até invejei a malha de metrô da Índia, porque olha…Enfim, não quero entregar muita coisa, mas é toda a trajetória dele a partir daí. O filme consegue ser envolvente sem ser muito denso – por ser um drama, poderia ficar meio arrastado, mas tem um ritmo bem bom. O Dev Patel, o galã feio que a gente adora, tá super bem nele!

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Manchester by the Sea (Ou: Volta o Cão Arrependido – Heteros Brancos Também Sofrem)

Tinha que ter um diferentão, né? A premissa parecia ser promissora – homem solitário volta à cidade natal depois da morte do irmão e precisa encarar seu passado -, mas esse filme não me desce. Acho bacana retratar a dificuldade de lidar com um trauma, mas eu nunca vi protagonista menos carismático na vida.

Ok cara, você pode ser antissocial, ácido, desajustado, mas me faça sentir alguma coisa. Seja vulnerável de um jeito menos destrutivo. Como vou sentir um pingo de empatia por um cara que arruma briga a cada cena de bar e praticamente não muda ao longo do filme?

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Moonlight (Ou: Só Queria Dar Um Abraço No Protagonista)

É difícil descrever esse Moonlight assim, de bate pronto. Ele conta a história de um jovem negro e pobre que precisa lidar com a sua homossexualidade. A partir de um olhar mega sensível do diretor (tá merecendo esse Oscar, hein), acompanhamos três fases da vida do jovem Chiron. As atuações deixam tudo ainda mais emocionante – os três atores que fazem o protagonista são excelentes, assim como atriz que faz a mãe dele.

Ao longo do filme, dói de ver como o meio em que ele vive impede que ele sequer desenvolve sua própria identidade. Ele sabe que é gay, sabe que podem matá-lo por isso, e reprime tudo o que sente para se proteger. É um fardo pesado demais pra se carregar… Triste pensar que tem gente que vive desse jeito.

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