Uma Girlboss incomoda muita gente

Conheci a loja Nasty Gal em minhas pesquisas de blogueirinha quando estava prestes a viajar pra Los Angeles. Acabou que a única Nasty Gal que encontrei foi em Santa Monica e já tinha fechado quando cheguei (choros), então deixei quieto. Quando vi o trailer de Girlboss, fiquei animada – já que não deu pra comprar ~as brusinha~, pelo menos pude conhecer a história da Sophia Amoruso, que criou uma das lojas mais descoladinhas dos EUA praticamente do zero.

Chegou o lançamento e a recepção geral não foi das melhores: vi muita gente decepcionada, falando que tinha desistido da série porque a protagonista, Sophia, era insuportável. Acabei me deixando contagiar por essa vibe negativa e fui ver Dear White People – o que não me arrependo de ter feito, porque é maravilhosa! Mas como só desisto de séries se eu realmente NÃO SUPORTO, o que não foi o caso, dei uma segunda chance. Ainda bem!

Os primeiros episódios causam uma baita estranheza porque, veja bem, a Sophia é realmente babaca: ela é arrogante, mimadinha e egocêntrica. Outra coisa que não gostei muito foi o roteiro, da mesma roteirista de Pitch Perfect – o que dá pra notar de cara pelo humor bem descarado e quase vulgar. O problema, pra mim, não é nem esse (até curto um humor mais irreverente), mas algumas frases soam forçadas, bem “frase de efeito pro trailer bombar”, sabe?

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Insisti na série, porque a direção é mesmo EXCELENTE, assim como a trilha sonora. E, mesmo não amando a protagonista, gostei da interpretação da atriz – e todo o elenco é simpático, eu diria. Conhecendo melhor a história da Sophia na série e conversando com algumas pessoas, minha perspectiva sobre a personagem mudou completamente.

A antipatia geral pela Sophia tem motivo: a gente não tá acostumado a ver uma protagonista feminina que não é agradável. Geralmente, protagonistas mulheres podem até ser meio perdidas na vida, como a Sophia, mas são fofas, adoravelmente desastradas e, muitas vezes, aceitam condições de submissão – das quais elas se libertam ao longo da história. 

Mas não a Sophia: desde o começo, ela não quer nem saber o que os outros pensam – e isso se estende aos espectadores. Ela fala palavrão, desmerece quem vive uma vida tradicional e tem certeza do seu próprio sucesso, antes mesmo de nos mostrar que realmente tem talento.

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A postura dela em relação ao namoradinho “fofo” também gera revolta – como ela trata um cara tão bacana com tanta indiferença? Pasmem: para Sophia, a vida amorosa está longe de ser prioridade. Mais do que isso: ela não precisa da ajuda dele pra avançar na carreira em momento algum.

Por outro lado, ela é escrota com outras pessoas que realmente a ajudam, como sua bestie Annie (adoro ela!). Mas percebi uma coisa: ao longo da série, a Sophia conserta praticamente TODOS os erros que comete – coisa que muito personagem anti-herói por aí não precisou fazer pra conquistar nossa empatia. Por quê?

Acho que você já sabe a resposta: o julgamento que a sociedade impõe sobre as mulheres é bem mais ferrenho. Por isso, uma protagonista como a Sophia causa estranhamento, mas é necessária. Precisamos de retratar mulheres reais, que não escondem suas falhas – mas não deixam de aprender com elas.  

Pra mim, foi revigorante ver uma protagonista ambiciosa e 100% focada na carreira – até já escrevi sobre mulheres na liderança, e a Sophia me lembrou muito esse texto. Enfim, espero ver uma segunda temporada da série!

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