Mulher Maravilha e a Jornada da Heroína

Mesmo sendo nerdinha e curtindo franquias fantásticas (Harry Potter) e de sci-fi (Star Wars), eu nunca fui muito fã de filmes de super-herói. Agora entendo o porquê: os papéis femininos nesses filmes são sempre  uma versão pior do que poderiam ser. Ok, donzelas indefesas estão cada vez menos frequentes, mas só isso não basta.

Depois de ver uma série de mulheres inteligentes e corajosas que se limitam a dar suporte pro herói salvar o dia, percebi o que me afligia: eu quero conhecer a história dessas mulheres! Quero entender suas trajetórias de vida, descobrir que acontecimentos moldaram personagens tão interessantes – e é exatamente isso que Mulher Maravilha entrega.

Eu não sabia nada sobre a história da personagem, então foi uma grata surpresa saber que a Mulher Maravilha tem ligação com a mitologia grega – um tema que eu sempre adorei (já falei que sou nerdinha, né?). Por conhecer um pouco de mitologia, não curti muito a dualidade Zeus x Ares como bem x mal, porque Zeus não era nenhum santo – mesmo sendo deus, risos.

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Mas curti a forma como as amazonas foram inseridas na mitologia, assim como toda a estética mais fantasiosa da ilha de Themyscira. Parece besteira, mas ver tantas mulheres num filme desse gênero me emocionou. Vê-las lutando em cenas de batalha incríveis logo nos primeiros minutos do filme já valeu o ingresso (e olha que eu paguei inteira de sala 3D).

Dito isso, é até meio deprimente quando a Diana vai pro mundo real e vê como as mulheres eram subordinadas pela sociedade da época. Ela acaba virando um ideal distante de mulher empoderada, que ainda hoje é difícil de se alcançar. Se ela saísse da ilha nos tempos atuais, ainda acho que ficaria chocada com muitas coisas – imagina se ela lesse as seções de comentários da internet…

Mais do que uma Mulher Maravilha, a Diana também é uma super heroína diferenciada. Não quero usar a palavra sensível, porque remete a fragilidade, mas esse acaba sendo seu diferencial: além de apoiar valores como a justiça, a honestidade e a paz, ela defende o amor, a empatia e a caridade. Ela não quer salvar pessoas pra “bater ponto” e cumprir seu dever de super heroína: ela realmente se importa com os humanos e sofre junto com eles quando as coisas dão errado.

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Mas assim como explica a diretora do filme, Patty Jenkins, essa conexão emocional da personagem com a humanidade não a impede de ser bad ass – termo que só posso traduzir como “mulherão da porra”. A cada cena de ação do filme, a personagem deixa até o mais machista dos espectadores de queixo caído – e não é só pela sua beleza! Eu, que nunca fui muito fã de cenas de ação, fiquei maravilhada (com o perdão do trocadilho) em ver uma mulher descendo o cacete na rapaziada (com o perdão do palavrão).

Estive pesquisando sobre o filme sem parar, de tão encantada que fiquei. Cheguei à conclusão que Mulher Maravilha é a boneca russa do empoderamento feminino: conta a história de uma heroína incrível, interpretada por uma atriz incrível (Gal Gadot, ou: obra de arte em forma de gente), orientada por uma diretora incrível (Patty Jenkins, ou: meu novo objetivo de carreira). A enxurrada de críticas positivas só vem pra confirmar isso!

Depois de quase setenta anos após sua criação, a Mulher Maravilha finalmente ganhou um filme que faz jus ao que ela representa. E quer saber? A espera valeu a pena. Espero que Mulher Maravilha abra a porteira para que outras grandes mulheres, fictícias ou reais, tenham suas histórias contadas por mulheres igualmente inspiradoras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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