Mãe!, um filme em primeira pessoa

Já que os filmes de terror que vi este ano me tornaram destemida, fui assistir Mãe! por pura curiosidade. A premissa é levemente sinistra: um casal mora numa casa afastada e, com a chegada de um (não-)convidado, as coisas começam a mudar por lá.

As opiniões da crítica se dividem como o Mar Vermelho: de um lado, pessoas que consideraram o filme uma obra-prima; de outro, pessoas chamando o diretor (Darren Aronofsky) de apelativo, egocêntrico e escroto (coloquei esse último só pra dar mais contraste, hehe).

Dei um voto de confiança ao diretor, que criou um dos meus filmes preferidos (pode entrar, Cisne Negro), e minha primeira conclusão é: GENTE, CALMA. Eu entendo porque a galera saiu do cinema com a mente a milhão, mas vamos todos respirar um pouquinho antes de sair falando, bem ou mal demais.

Jennifer Lawrence in <em>Mother!</em>

Uma dica importante pra quem quer ver: não dá medo. Acho que só classificaram como terror porque tem alguns momentos meio chocantes – mas nada que você não tenha visto num filme do Tarantino. E falando em diretores, é sempre bom lembrar que você está indo ver um filme autoral, com um estilo próprio: não é pra ser convencional ou fácil de assistir. Esteja preparado!

Mas ainda assim, Mãe! não é uma pedrada na cabeça, como andam falando por aí. Mesmo sendo da área, não suporto filmes arrastados e abstratos demais, que se safam por serem considerados “artísticos”. Dito isso, por mais que seja cheio de metáforas e alegorias, Mãe! não é difícil de acompanhar: as coisas vão acontecendo, vai ficando tudo meio absurdo, mas dá pra levar.

Parte dessa facilidade vem, ao meu ver, da fotografia: a câmera de mão (ou de Mãe!, rs) e os planos fechados dão uma sensação de ponto de vista de videogame. Você não vê o todo, mas sabe que vem algo por aí,  e isso ajuda a prender a atenção do espectador ao longo da trama – especialmente nos últimos minutos, quando o filme acelera.

mother

Mas essa perspectiva em primeira pessoa é também contraditória, dada a passividade da protagonista – é como se você estivesse assistindo outras pessoas jogarem o seu videogame. Aliada à ótima atuação da J-Law, a sensação de impotência é transmitida para quem assiste – chega a dar agonia! Mas, sabendo da simbologia por trás da narrativa, entendo que isso seja intencional.

Vou parar por aqui, porque é difícil falar de Mãe! sem dar nem um spoilerzinho – e quero que vocês  assistam sabendo o mínimo possível, como eu fiz. Pra finalizar, só quero deixar uma pista: gosto muito de como o filme aproxima questões cruciais para todos nós, trazendo-as para a esfera particular – o que gera mais identificação e empatia.

Chega, já falei demais! No fim, Mãe! é o tipo de filme que cresce nas discussões – eu mesma agora vou atrás de quem assistiu pra conversar sobre!

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