Sweeney Todd (2007)

Antes que vocês me acusem de folgadinha e caluniadora, esse pequeno recesso no blog foi por causa do Natal. Quem diabos iria parar no meio da ceia, com a boca ainda cheia de farofa, pra sentar na cadeira do computador e ler meu post? Exato, ninguém. Por isso não me sujeitei a escrever um post que seria abandonado no limbo… Mas enfim, a escolha do filme não foi fácil, porque gosto de filmes que não são tããão famosos, e eu quero audiência (falo mesmo, quem não quer?). Mais uma vez, recorri a um dos meus queridinhos, um dos filmes mais freaks e lindos da vida: Sweeney Todd (mais um subtítulo desnecessário), do Tim Burton! Yay!

Tenho história com esse filme: fiquei esperando ele estrear no Brasil, morrendo de ansiedade. E quando ele vem, adivinha? Eu não passava pela censura, de 16 anos. Resignada e coxinha como sou, tive que esperar o lançamento em DVD. Lembro quando finalmente assisti, eu mal piscava de tão encantada que fiquei! E nem foi só por causa do Johnny Depp, meu ator favorito – meu e da torcida do Flamengo, né? Nem ligo! O cara é talentoso demais, não tem como não admirar! E antes que me chamem de fangirl, meu sentimento pelo Johnny já amadureceu para uma admiração totalmente respeitosa.

Mas sério, tudo nesse filme me agrada! A atmosfera dark e macabra da fotografia, acentuada pela direção de arte impecável, as atuações do elenco (metade da galera de Harry Potter, aliás) e, é claro, a trilha e o fato de ser um MUSICAL. Eu amo musicais, e gosto como esse é totalmente oposto ao estereótipo que as pessoas colocam nos filmes desse gênero. Uma história que, antes de tudo, é protagonizada por um serial killer com sede de vingança se distancia anos-luz daquele ritmo alegre dos filmes musicais mais conhecidos – não é o único; aliás, vejam Les Mis daqui alguns meses e vocês me entenderão!

Ok, vamos aprofundar no assunto ‘musical’. Um problema que às vezes identifico assistindo filmes do gênero é um desequilíbrio entre a narrativa e as músicas que a compõem. Às vezes, mesmo que o diálogo entre ambos os elementos exista, a qualidade não é a mesma. Simplificando, é o tipo de musical em que a história se arrasta e você fica só esperando as performances musicais – ou o contrário; as músicas são chatas e você só quer saber a história. Felizmente, não é o caso de Sweeney Todd: o timing das músicas é muito bom e o enredo por si só é bem envolvente. Mas admito, algumas músicas são bem mais legais que outras – minhas preferidas sãoEpiphany (quando ele decide matar geral), Not While I’m Around e a reprise de Johanna.

E cadê o aspecto mais freak desse filme, gente? Claro, as mortes são lindas, o vermelho vibrante do sangue (bem fake, lembrando aqueles filmes de terrortrash) se destacando ainda mais pela coloração cinzenta dos demais elementos, uma beleza! Mas e depois? Empadinhas do Nordeste, anyone? Acharam que isso era original? Mrs. Lovett fez torta de carne humana before it was cool! Mas fico pensando aqui: não seriam essas tortas – e, principalmente, o fato dos clientes consumirem-nas com muito gosto – uma espécie de alusão à degradação humana? Ou, ainda, à própria vingança de Todd, livre de qualquer sentimento de empatia ou compaixão por suas vítimas?

Por mais grotescos que sejam os atos do protagonista, esse filme traz uma reflexão: o que seria necessário para que um homem perca seu senso de humanidade? Privá-lo das pessoas que ama, de seus sonhos, da liberdade, da justiça? Essa questão me parece muito mais relevante do que a simples conclusão de que “a vingança nunca é plena; mata a alma e envenena” (perdão, Seu Madruga, ainda são belas palavras…). Isso é superfície.

Sei lá, defendo a ideia de que o mau não nasce com você, e sim é produzido pela realidade na qual você está inserido. É aquela frase: evil isn’t born, it’s made. Não que nasçamos todos puros e bonzinhos; não podemos ignorar a psicopatia e outros distúrbios mentais, mas isso é tomar exceção pela regra. Se todas as crianças crescessem em ambientes saudáveis ao seu desenvolvimento, na certa teríamos adultos melhores em todos os aspectos.

Fui muito longe, né? É que acho fácil demais falar que um serial killer é um monstro, como se fosse um fato isolado, e que sua morte seja uma solução permanente. O que quero dizer é: será que a sociedade como um todo não está criando seus próprios monstros? Ou eles são apenas frutos malignos de um mero acaso genético? Antes de ser Sweeney Todd, o “barbeiro demoníaco”, Benjamin Barker não passava de um ingênuo e feliz pai de família. Seu crime, como dito no filme, foi tolice. Será mesmo? Ele tinha alguma escolha?

Acho que é por isso que Sweeney Todd é um anti-herói carismático, à sua maneira. Vai dizer que não torceu pra ver aquele juiz safado virar torta? Não vou dar spoiler, relaxem. Vale a pena assistir! Sweeney Todd é um presente aos olhos e aos ouvidos. Só não me responsabilizo por tendências homicidas decorrentes, ok? E se der fome depois do filme, melhor dar uma passadinha no psicólogo… Só pra garantir, sabe como é…

Data do post original: 28 de dezembro de 2012

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